Título: Barril recua US$ 10,6 em dois dias e fecha cotado a US$ 134,60
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Fonte: Gazeta Mercantil, 17/07/2008, Infra-estrutura, p. C4
Os preços do petróleo fecharam o pregão de ontem em queda pelo segundo dia consecutivo, após dados do governo norte-americano terem mostrado uma surpreendente alta nos estoques de gasolina e petróleo daquele país, além de um crescimento acima do esperado das reservas de derivados. Na bolsa de Nova York, o contrato para agosto do petróleo WTI caiu US$ 4,14, ou 2,98%, para US$ 134,60 por barril, sendo negociado entre US$ 132 - menor nível desde 25 de junho - e US$ 139,30 durante a sessão. O recorde da commodity foi atingido na última sexta-feira, quando fechou a US$ 147,27. Na terça-feira, o contrato caiu US$ 6,44 na bolsa nova-iorquina, registrando a maior queda em dólares desde a baixa de US$ 10,56 de janeiro de 1991. Em Londres, o contrato para agosto do petróleo tipo Brent venceu e fechou em queda de US$ 2,56, ou 1,85%, para US$ 136,19, após ter sido negociado entre US$ 132,50 e US$ 139,26. Na semana passada, os estoques norte-americanos de petróleo tiveram alta de 2,95 milhões de barris, passando a 296,9 milhões de barris, mostrou ontem um relatório do Departamento de Energia (DOE, pelas iniciais em inglês) dos EUA. Previa-se que os estoques sofreriam uma queda de 2,2 milhões de barris, segundo pesquisa realizada pela "Bloomberg News". A demanda por combustíveis alcançou a média de 20,3 milhões de barris/dia nas últimas quatro semanas, o que representa uma queda de 2% em relação a 2007, disse o departamento. "Os números relacionados aos estoques estão começando a refletir as notícias macroeconômicas ruins", disse Michael Lynch, presidente da Strategic Energy & Economic Research, de Winchester, Massachusetts. "Nós não apenas registramos uma alta inesperada nos estoques de petróleo como também seus subprodutos aumentaram", acrescentou. "Após os números baixistas do DOE e a queda de preço dos últimos dois dias pode ser a hora de recuar e reavaliar se o mercado ainda está altista ou se agora ele está baixista", disse Tim Evans, analista do setor de energia da Citi Futures Perspective de Nova York. "Ainda não ficou claro se os fundos usarão essa queda para comprar contratos futuros ou para sair do mercado", afirmou. Petróleo a US$ 300? O barril de petróleo poderá ser negociado a US$ 250 ou mesmo a US$ 300 dentro de três a quatro anos, estimou ontem Olivier Appert, presidente do Instituto Francês de Petróleo (IFP), durante uma reunião sobre energia na Assembléia Nacional francesa. "O aumento dos preços do petróleo não se traduz em uma queda na demanda, ou na diminuição da oferta. Poderemos ter um barril a US$ 250 ou mesmo US$ 300 daqui a três ou quatro anos". "A alta do petróleo não está vinculada a uma ausência de estoques, mas a uma falta de investimentos no conjunto da cadeia petrolífera, assim como a problemas geopolíticos", explicou Appert.