Título: Valorização do real ainda não assusta
Autor: Lívia Ferrari e Cristina Borges Guimarães
Fonte: Gazeta Mercantil, 17/09/2004, Primeira Página, p. A-1
Câmbio fecha a R$ 2,885 por dólar. A taxa de câmbio fechou ontem em R$ 2,885 (venda), com queda de 0,65% em comparação com o dia anterior, o mais baixo nível desde abril. Mas isso não chegou a assustar exportadores e especialistas em comércio exterior. O economista-chefe da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), Fernando Ribeiro, viu o recuo do câmbio com naturalidade, após a alta dos juros nesta semana. "Quando o juro sobe, o câmbio cai, pois aumenta a perspectiva de entrada de capitais no País. Soma-se a isso, a queda do risco Brasil contribuindo para o cenário de estímulo a captações externas", afirmou o economista.
Em seu entender, a valorização cambial não terá impactos negativos sobre as receitas de exportações deste ano, pois os contratos de venda estão em sua grande parte já firmados. "O que pode ocorrer, é uma menor rentabilidade do exportador, que vai trocar dólares por menos reais", disse ele.
No mesmo tom, o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, minimizou os possíveis efeitos do recuo do câmbio sobre as operações de comércio exterior. "É um ajuste do mercado à elevação dos juros e à entrada de divisas, decorrente do saldo comercial e das recentes captações em moeda estrangeira feitas pelo governo e empresas privadas", comentou Castro.