Título: Superávit até julho cai 39% em relação ao ano passado
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Fonte: Gazeta Mercantil, 04/08/2008, Nacional, p. A6
A balança comercial brasileira acumulou de janeiro a julho superávit de US$ 14,653 bilhões, cifra que representa queda de aproximadamente 39% em relação ao mesmo período do ano passado, mostraram dados divulgados na sexta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em 2007, o saldo acumulado nos sete meses somou US$ 23,922 bilhões. Em julho, o saldo da balança foi superavitário em US$ 3,304 bilhões, em linha com projeções de analistas consultados pela Reuters, que esperavam superávit de US$ 3,2 bilhões. As exportações no mês passado somaram US$ 20,453 bilhões, novo recorde. No mesmo período, as importações totalizaram US$ 17,149 bilhões. Na quinta e última semana de julho, a balança amargou déficit de US$ 123 milhões de dólares, o que reduziu o saldo acumulado no período. Ainda assim, o superávit de julho foi o segundo melhor resultado mensal do ano, atrás apenas de maio, quando ele atingiu US$ 4,073 bilhões. A redução no saldo comercial brasileiro já era esperada por analistas e pelo próprio governo. O Banco Central estima em suas projeções sobre as contas externas brasileiras, que a balança comercial fechará o ano com um superávit de US$ 25 bilhões. A previsão do mercado é um pouco mais pessimista. De acordo com levantamento semanal feito pelo BC com agentes do mercado, os cálculos apontam para um saldo positivo de US$ 22,78 bilhões neste ano, ante superávit de US$ 40 bilhões no ano passado. Retrocesso Em nota divulgada sexta-feira, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) afirmou que o fato grave evidenciado pelos dados de julho "é o grande retrocesso das exportações de manufaturados no contexto das exportações totais brasileiras". A instituição pondera que, considerando os valores por dia útil, as vendas externas totais aumentaram 8,6% em julho frente a julho de 2007, mas as exportações de manufaturados cresceram somente 16,9%. Produtos básicos acusaram aumento de 70,6% e produtos semimanufaturados, de 55,8%. "Com isso, a participação de manufaturados nas exportações totais do País caiu de 50,1% em julho de 2007 para 42,3% em julho deste ano." O Iedi acrescenta que o câmbio valorizado e a retenção da devolução de impostos dos exportadores já causam efeitos concretos nas vendas de produtos de maior agregação de valor, o que pode fazer diferença em momentos de menor dinamismo da demanda e dos preços das commodities não-industriais. "O Brasil corre riscos desnecessários em seu comércio exterior", conclui a nota do Iedi.