Título: País mantém volume de operações de janeiro a julho
Autor: Feltrin, Luciano
Fonte: Gazeta Mercantil, 06/08/2008, Finanças, p. B2
A crise de crédito norte-americana e a redução do apetite dos grandes investidores globais por ativos de renda variável tiveram fortes reflexos sobre o mercado mundial de ofertas de ações durante os primeiros sete meses do ano. No período, o volume financeiro movimentado com a negociação de papéis das empresas em todo o mundo somou US$ 247,8 bilhões, montante 38% menor que o de igual período do ano passado, quando as empresas transacionaram US$ 401 bilhões. Mesmo com importante retração em número de operações, os mercados acionários do Brasil e da América Latina sofreram bem menos, praticamente empatando em valor movimentado na comparação com o 1 semestre do ano passado. Os dados constam de um levantamento preparado pela Thomson Reuters, e levam em consideração IPOs (ofertas públicas iniciais de ações, na sigla em inglês), as captações por meio de novos papéis das empresas já listadas na Bovespa. Entre e janeiro e julho deste ano, a bolsa brasileira registrou apenas 13 operações, número 78% inferior às 58 do mesmo período de 2007. O volume financeiro movimentado, porém, foi o mesmo, de US$ 20 bilhões. O Itaú BBA destacou-se como instituição financeira intermediária no período. O banco saltou do 3ª para o 1ª colocação o ranking de participação no volume das operações, movimentando US$ 4,3 bilhões, fatia que representou mais de 20% do mercado. Grande parte da liderança deveu-se às operações volumosas envolvendo as ações de duas empresas do grupo Gerdau, cuja emissão de novos papéis somou, em abril, R$ 4,4 bilhões, e da Vale. A operação global da mineradora levantou R$ 19, 4 bilhões. O UBS, que esteve à frente de 28 operações nos primeiros sete meses de 2007, foi o que mais sentiu a diminuição do ritmo de ofertas de ações. O banco caiu para a 7ª posição entre os intermediários. Participou de apenas uma operação neste ano, movimentando US$ 1,3 bilhão. Já o Credit Suisse manteve-se na 2 colocação, participando de seis ofertas que somaram US$ 3,8 bilhão entre janeiro e julho. A região que inclui os mercados de capitais latino-americanos também registrou uma importante retração no número de operações envolvendo IPOs e ofertas de novos papéis de companhias. O recuo foi de 73% no período. Influenciado pelo Brasil, no entanto, o volume transacionado manteve-se nos mesmos patamares de igual período do ano anterior, que foi de US$ 23 bilhões. Perspectivas para o ano As perspectivas não são boas para o mercado acionário brasileiro até o fim do ano. Isso pode ser percebido, na prática, observando o interesse de empresas que solicitam à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedidos para negociar suas ações. Atualmente, há, na página da autarquia a internet, o registro de cinco empresas que manifestaram interesse em abrir capital. Duas delas - Alupar e Solvay - já interromperam o processo A crise norte-americana também tornou inviável, no momento, IPOs de menor porte. Companhias que têm planos de ingressar no Bovespa Mais, segmento de acesso da bolsa paulista que conta apenas com a fabricante de fertilizantes Nutriplant estão aguardando os próximos movimentos do mercado.