Título: Petrobras espera mais três sondas para perfurar 11 blocos no pré-sal
Autor: Scrivano, Roberta
Fonte: Gazeta Mercantil, 13/08/2008, Infra-estrutura, p. C5
A Petrobras espera a chegada de três novas sondas em 2009 para perfurar 11 poços na camada pré-sal da Bacia de Santos, localizada em águas ultraprofundas e que abriga megajazidas de petróleo e gás. A informação foi dada pelo gerente-geral da unidade de exploração e produção da bacia de Santos da estatal, José Luiz Marcusso, durante evento promovido pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. "Já em março do ano que vem começa o teste de longa duração de Tupi (na camada pré-sal). O navio está contratado e está em construção em Cingapura - será chamado Cidade São Vicente", adianta Marcusso. "Para o projeto-piloto de Tupi também já contratamos o navio, que está em construção na China e deve ficar pronto em 2010", comenta o diretor. Tupi e as outras jazidas encontradas abaixo da camada de sal estão a cerca de seis mil metros de profundidade. São dois mil metros de lâmina d¿água, dois mil de sedimentos e outros dois mil metros de sal. Segundo Marcusso, a estatal planeja perfurar sete poços na região do pré-sal ainda este ano, como o campo de Júpiter onde, segundo ele, a Petrobras tenta confirmar a existência de óleo além do gás já encontrado. "Este ano, no pré-sal da bacia de Santos, serão sete poços entre perfuração e avaliação. Neste momento temos três sondas operando em horizontes do pré-sal", explica. Da acordo com o executivo, chegarão ao País outras quatro sondas - incluindo a que será transferida do Golfo do México -, com capacidade para explorar poços em até 700 metros de profundidade. "São sondas importantes, já que tivemos descobertas do pólo sul do pré-sal, no mesmo tipo dos campos da Bacia de Campos, que são reservatórios rasos e novas perfurações serão realizadas". Segundo Marcusso, no total, até 2011 a estatal terá 20 novas sondas, sendo 14 delas para a região do pré-sal. "Temos contratadas até 2011 cerca de 20 sondas", afirma. Mais investimentosAs previsões de investimentos da Petrobras para os próximos cinco anos somam US$ 112 bilhões. No entanto, com as constantes novas descobertas na região do pré-sal, Marcusso diz que a estatal terá que revisar o valor dos aportes. "A Petrobras tem hoje, no plano em curso, investimentos de cerca de US$ 112 bilhões. Porém, o plano de negócios da companhia está em revisão e os novos números devem ser anunciados entre setembro e outubro", afirma o executivo. Marcusso diz que, para a Bacia de Santos, onde a estatal já está com o projeto piloto de um dos blocos, o de Tupi, "certamente a revisão será significativa, até porque hoje está sendo feito todo o plano diretor para o desenvolvimento do pólo pré-sal da Bacia de Santos". Estimativas para a região Durante o mesmo evento, Newton Monteiro, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), fez uma simulação de estimativas para a camada pré-sal, que, segundo ele, é uma região de petróleo muito maior do que a Petrobras tem estimado. "Imagino que, além do que já foi descoberto, há outros 140 campos na camada pré-sal. Em cinquenta anos, se considerarmos uma produção inicial de 1 milhão de barris por dia e 45 milhões de metros cúbicos de gás diários, essas possíveis descobertas renderiam R$ 47,2 bilhões em arrecadação de royalties, participação especial e impostos", estima Monteiro. Novo marco regulatório O evento realizado em São Paulo, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), também abordou a possível mudança na lei do petróleo para que aumente a participação do governo sobre a produção de petróleo no País. O Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) considera que o não precisa necessariamente haver alteração no marco regulatório do setor. "Se realmente o governo optar por usar o modelo de partilha de produção, ele será obrigado a criar uma nova empresa estatal. Isso realmente me preocupa, porque nós estamos num período que as empresas ficam cada vez maiores", disse Álvaro Teixeira, secretário executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis. "A escala é extremamente importante porque os investimentos são muito altos", acrescenta. Teixeira defende o atual modelo e considera que o ideal seriam pequenos ajustes. "O atual contrato de concessão é extremamente sofisticado e tem todos os mecanismos de realmente distribuir adequadamente a renda petrolífera. Se o risco é mesmo pequeno na região da pré-sal, o bônus é enorme", justifica. Para ele, deveriam ser feito alguns ajustes na participação especial. "Sabe-se que precisa de alguns ajustes. Como a participação especial foi estruturada há 10 anos, quando o preço do barril estava a US$ 12, realmente hoje em dia ela não está refletindo o aumento da rentabilidade em função do aumento preço do petróleo", afirma.. Teixeira salienta que mudanças no marco regulatório poderão atrasar as explorações da camada pré-sal. "Ocorrerá atraso no desenvolvimento do pré-sal, atraso no processo de continuidade de exploração de novas descobertas da pré-sal. Nas condições atuais, isso representaria uma perda de arrecadação de R$3 a 5 bilhões por ano, considerando um campo de 4 bilhões de barris. O grande perdedor é o governo". Eloi Fernández y Fernández, diretor geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), afirma que a incerteza regulatória é ruim para a indústria do setor. "A incerteza regulatória é ruim, ela trás uma insegurança e perde-se bastante com isso", diz. " Há uma parcela de encomendas que vai ter que sair. Elas podem é não ocorrer no momento certo, em função da incerteza, e isso faz com que os investimentos não aconteçam no tempo. Daí as encomendas podem acabar indo para a indústria de fora do Brasil". Segundo ele, a indústria do petróleo tem uma capilaridade imensa, desde têxteis até equipamentos. "A indústria nacional tem capacidade de atender à plenitude, ou seja, na mesma média que a indústria internacional as demandas. Além disso, há espaço para a indústria crescer, ainda mais com essa perspectiva de investimento do setor do petróleo".