Título: Procura por sistemas anti-grampo cresce 40% em uma semana
Autor: Falcão, Márcio
Fonte: Gazeta Mercantil, 08/09/2008, Política, p. A11

Brasília, 8 de Setembro de 2008 - O receio de políticos, empresários e profissionais liberais em geral movimentou na última semana o mercado de produtos anti-grampo em Brasília e São Paulo. Empresas especializadas em garantir privacidade tiveram um aumento de até 40% na procura por serviços - como varredura, equipamentos de segurança e até blindagem acústica - para o mundo político e empresarial. Mas são os celulares anti-grampo que conquistaram o posto de vedete do momento. Depois da divulgação de um diálogo entre autoridades que comprovariam escutas ilegais, foram vendidas, em apenas uma loja, 30 unidades do aparelho. O sistema não é simples, mas os técnicos garantem que é a forma mais segura de se falar ao telefone. O celular anti-grampo possui um chip e um software de criptografia, que codificam as conversas e as mensagens de texto. No momento em que o usuário faz uma ligação, o sistema transforma a voz em dados. Como a maior parte dos grampos é feita através das ondas e milhões de dados vão sendo alterados por segundo pelo sistema, fica praticamente inviável grampear. O novo mimo custa em média de R$ 1,4 mil. Os fornecedores sustentam que o recurso é o mais seguro porque consegue bloquear até mesmo o grampo realizado pela operadora de telefonia do cliente se os dois aparelhos que estiverem em uso possuírem o sistema. Hoje, os celulares são fáceis de serem grampeados, especialmente durante a comunicação entre o aparelho e a torre. Com a criptografia, calcula-se que se alguém captar a conversa poderá levar até 20 anos para conseguir decifrar. Vinte anos "A garantia de sigilo aplica-se para qualquer tentativa de escuta, uma vez que estamos aplicando a cifragem nas duas pontas da conversa", explica Jorge Maia, diretor de tecnologia da B2T - Business Technology, pioneira na oferta desse tipo de serviço, que tem entre os clientes, a Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores. Além dos celulares, há procura pelas salas com blindagem acústica. Mas foram poucos os contratos realmente assinados. O motivo: o cliente tem que desembolsar entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, dependendo do tipo de serviço que deseja. A sala básica é totalmente revestida e passa por uma série de adaptações. As paredes ganham metal para evitar a transmissão de sinais elétricos. Fica proibido qualquer tipo de adereço e até mesmo objetos, como computador e telefones, que podem esconder um aparelho para a escuta ambiental. Também pode fazer parte do kit um sistema que bloqueia gravadores, inclusive os digitais, e um gerador de ruído de leve intensidade. "É tecnologia de ponta a serviço de um direito do cidadão garantido na Constituição", avalia Maia. Sem dupla interpretação Mesmo com toda essa movimentação, os políticos são discretos ao falar das medidas de prevenção que estão assumindo e chegam a levar o assunto até na brincadeira. O vice-líder do DEM na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), conta que recomendou aos colegas que sejam o mais claros durante as ligações sem deixar expressões que possam ter dupla interpretação. "Antes eu ligava e simplesmente falava: olha consegui R$ 100 mil para você", afirma Aleluia. "Agora, faço tudo nos mínimos detalhes: olha consegui R$ 100 mil para sua campanha e tudo com nota fiscal dentro da lei", diz o democrata. O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) também prefere tratar o tema com descontração. "Todo mundo está grampeado", afirma." Eu já até me acostumei e passei a dar bom dia para eles (arapongas)." O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), no entanto, garante que não adotou medidas preventivas. "Não temos que nos prevenir", justifica. "Esses criminosos é que precisam ser presos." (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 11)(Márcio Falcão)