Título: STF divulga nota após reunião fechada
Autor: Quadros, Vasconcelo
Fonte: Gazeta Mercantil, 03/09/2008, Política, p. A7

Brasília, 2 de Setembro de 2008 - Depois de uma reunião fechada que durou pouco mais de uma hora, o Conselho de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) "foi informado por seu ministro presidente do teor do encontro mantido, nesta data, com o Excelentíssimo Senhor Presidente da República e decidiu aguardar as providências exigidas pela gravidade dos fatos". A nota sobre as "denúncias de interceptações telefônicas que teriam ocorrido no gabinete do presidente da Corte" foi lida pelo secretário de Comunicação Social, Renato Parente. Os ministros deixaram o gabinete do ministro Gilmar Mendes pelo elevador privativo, e assumiram o compromisso de não comentar nada do que ouviram ou do que falaram. A ministra Cármen Lúcia - que estava em Minas Gerais - comunicou ao presidente do STF que estava de acordo com o que fosse decidido na reunião. Antes da reunião do Conselho - à qual não teve acesso nem o garçom que serve cafezinho - a informação corrente no STF era de que os ministros Gilmar Mendes, Cezar Peluso, vice-presidente, e Ayres Britto, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral, cobraram do presidente Lula, pela manhã, uma resposta enérgica do Executivo às escutas ilegais que estariam sendo feitas no Supremo, desde 2006, aparentemente por agentes da Abin. No dia 11 de julho, a Polícia Federal realizou, por solicitação do ministro Gilmar Mendes, uma varredura no seu gabinete, depois que correu a informação de que teriam sido captadas conversas de advogados do empresário Daniel Dantas com alguns assessores do presidente do STF. Nada foi encontrado. Naquela ocasião, o secretário de Comunicação Social do tribunal, Renato Parente, confirmou que Mendes recebera, por telefone, informação da vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, desembargadora Marli Ferreira, de que os telefones do gabinete do presidente do STF tinham sido monitorados, por iniciativa do juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto De Sanctis, responsável pela denúncia contra Daniel Dantas por tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal. O juiz De Sanctis reagiu com uma nota à imprensa, na qual afirmou: "Jamais foi proferida decisão emanada deste juízo autorizando o monitoramento de pessoas com prerrogativa de foro, como veiculado em matéria jornalística". A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou nota para "manifestar indignação e preocupação com os grampos ilegais que se alastram no país". De acordo com o presidente Mozart Valadares Pires, "essa prática (...) coloca em risco as liberdades individuais e coletivas duramente conquistadas após anos de ditadura". (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Luiz Orlando Carneiro)