Título: Fiocruz testa composto de algas contra HIV
Autor: MInner, Cecilia
Fonte: Gazeta Mercantil, 01/09/2008, Indútria, p. C4

Rio de Janeiro, 1 de Setembro de 2008 - Três substâncias obtidas a partir de algas marinhas comestíveis estão em estudo pré-clínico e podem se tornar anti-retrovirais de baixa toxicidade, capazes de inibir as três etapas de replicação do vírus HIV: a transcriptase reversa, a protease e a morfologia viral. As substâncias também poderão ser utilizadas para prevenir a contaminação da doença, com a aplicação de uma pomada especial microbicida nos genitais antes da relação sexual. A pesquisa, iniciada em 1996 e elaborada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC) em conjunto com a Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), analisou 22 compostos naturais encontrados na costa brasileira. A partir das substâncias selecionadas, a equipe planeja desenvolver medicamentos, via oral ou injetável, com baixos efeitos colaterais, para portadores de Aids resistentes aos anti-retrovirais existentes no mercado ¿ há 17 tipos atualmente. Os resultados preliminares do estudo, divulgados ontem no Rio de Janeiro, mostraram que em testes in vitro, as substâncias foram capazes de inibir a replicação do HIV em macrófagos e linfócitos, células envolvidas na resposta imunológica do organismo humano diante à infecção pelo vírus. Já nos testes feitos em camundongos, foi comprovado o baixo nível tóxico das substâncias pesquisadas. "Este é o grande diferencial, uma vez que os medicamentos disponíveis hoje são eficazes, mas têm efeitos colaterais severos", explica o imunologista e responsável pela pesquisa, Luiz Roberto Castello Branco. Cerca de 33 milhões de pessoas no mundo sofrem de Aids. No ano passado, 2,5 milhões foram infectadas no Brasil ¿ a maioria das novas infecções ocorrem através de relações extra-conjugais, geralmente cometidas por maridos que não usam preservativos e não concordam que as mulheres também usem a proteção. Assim, apostam os especialistas, o microbicida brasileiro será uma maneira das mulheres se prevenirem. Na forma de pomada ou gel incolor, elas poderão aplicar o remédio na vagina antes das relações sexuais. O efeito terá duração de 12 horas. "Mas a pomada deverá ser usada juntamente com o preservativo", alerta Valéria Laneuville. A estimativa é de que as substâncias entrem na fase de teste clínico em 2010, e cheguem ao mercado em 2015. No caso de uma delas ser aprovada, já representaria uma economia de R$ 50 a 100 milhões ao ano para o País, que gasta, durante um mesmo período, mais de R$ 1 bilhão com royalties e compras de medicamentos no exterior, segundo Castello Branco. (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Cecilia MInner)