Título: EUA debatem futuro de Fannie e Freddie
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Fonte: Gazeta Mercantil, 10/09/2008, Finanças, p. B2
Washington, 10 de Setembro de 2008 - Um dia depois de o governo americano tomar controle das duas maiores empresas de financiamento de hipotecas do país, os formuladores das políticas públicas e o Congresso deram início ao que promete ser uma batalha política épica sobre como reformar as empresas quando a presente crise estiver terminada. Os legisladores democratas e os membros do governo Bush também se envolveram numa rodada de troca de acusações sobre quem deve receber a maior parte da culpa pela crise na Fannie Mae e na Freddie Mac. Os legisladores e os membros do governo disseram que pode levar um ano ou dois antes de o próximo Congresso e o novo presidente chegarem a uma decisão sobre a nova função para as empresas. Mas na segunda-feira, as linhas da batalha já estavam sendo definidas em três campos previsíveis no que diz respeito ao destino das empresas. Mesmo antes de entrarem em crise, a Fannie e a Freddie eram híbridos únicos, e motivo de inveja das concorrentes. Elas desfrutavam dos benefícios de serem corporações de capital aberto com subsídios do governo em virtude da garantia implícita de suas obrigações. Os defensores disseram que a estrutura das empresas utilizavam os recursos dos investidores privados para tornar as hipotecas mais acessíveis. Os críticos sustentavam que a estrutura simplesmente privatizava seus lucros e socializava os riscos. Serviço público Em um canto do debate que se materializa estão alguns membros sênior do Departamento do Tesouro que, reservadamente, têm sugerido nos últimos dias que gostariam de encolher as empresas e transformá-las em prestadoras de serviços públicos. Se isso ocorrer, os lucros e as atividades das empresas serão estreitamente reguladas e seus grandes portfólios de investimento provavelmente serão reduzidos. Uma versão um pouco diferente desse plano transformará as empresas em simples agências do governo, como foi a Fannie Mae no seus primeiros 30 anos de existência, antes de o presidente Lyndon B. Johnson vendê-la para o público para ajudar a pagar a Guerra do Vietnã. Por esse plano, as empresas não sofrerão pressão financeira de Wall Street, e qualquer lucro retornará para o Tesouro. A diretoria será formada por membros indicados pelo governo. O segundo campo consiste de legisladores democratas que há muito tempo defendem as empresas contra os esforços para mantê-las sob controle, e as vêem como um meio para alcançar o objetivo de oferecer habitação mais acessível. Nesse campo estão legisladores proeminentes que presidem comissões com jurisdição sobre a Fannie e a Freddie, como Christopher J. Dodd, senador por Connecticut, e Barney Frank, representante de Massachusetts. Embora nenhum legislador tenha ainda oferecido uma proposta específica para reformar as empresas, esse ponto em geral favorece a restauração da saúde delas na forma em que eram antes de entrarem em crise, mas com salvaguardas para prevenir outros momentos ruins. Finalmente, há três teóricos do livre mercado, incluindo alguns do governo Bush. Eles são a favor da liquidação ou da divisão das duas empresas após o fim da crise. Por esse plano, as empresas desaparecerão e serão substituídas por instituições do setor privado, que não vão desfrutar do apoio do governo federal. A questão não será resolvida antes de o presidente Bush deixar o posto, embora as discussões serão iniciadas formalmente em breve, quando o Senado realizar audiências sobre o resgate das duas instituições. Os assessores do Congresso e os membros do governo disseram que contam com a convocação do secretário do Tesouro, Henry M. Paulson, do chairman do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), e de James B. Lockhart, diretor da agência que supervisiona as duas empresas e agora as mantêm sob custódia. O debate não é novidade, embora seus contornos certamente serão diferentes, especialmente com a perspectiva de canalização de bilhões de dólares, em novas despesas para os contribuintes, para as empresas, e a eliminação, nesta semana, de suas legendárias operações políticas. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(The New York Times)