Título: Setor químico garante exportação
Autor: Batista, Fabiana
Fonte: Gazeta Mercantil, 26/08/2008, Agronegócio, p. C10
São Paulo, 26 de Agosto de 2008 - A forte queda nos preços do etanol nos Estados Unidos - o que tirou, momentaneamente, esse mercado do foco das usinas do Brasil - abre espaço para que a indústria química volte às compras. É este setor que deve, até o final desta safra, em abril de 2009, ajudar a fechar a meta do País de exportar o recorde de 4,9 bilhões a 5 bilhões de litros de álcool, ante os 3,4 bilhões da safra passada. O Japão, o principal importador de álcool brasileiro para uso químico, comprou até julho 94,7 milhões de litros do produto, 51% a menos que em igual período do ano passado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A tendência, é que esse país aproveite a saída dos americanos no mercado para retomar os negócios. "Esse recuo é normal, sobretudo quando os Estados Unidos entram comprando muito agressivamente, como ocorreu nos últimos meses. O preço sobe muito e o setor de alcoolquímicos retarda as compras para conseguir valores menores", explica Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência. Em todo o ano de 2007, o Japão comprou 367 milhões de litros, 60% mais que no ano anterior. Já a Coréia do Sul, segundo maior comprador de álcool para uso químico, importou de janeiro a julho deste ano mais que o dobro de igual período de 2007.. Foram 77,3 milhões de litros, ante 25,6 milhões de litros nos sete primeiros meses do ano passado.. O percentual de crescimento desse mercado para a atual safra vai depender, segundo Rodrigues, dos preços do petróleo, matéria-prima concorrente nessa indústria. Até agora, o Centro-Sul fechou contratos para exportar 3,5 bilhões de litros, que devem ser embarcados até novembro. A meta para essa região é embarcar 4,2 bilhões até o final da safra. "Os 700 milhões de litros restantes devem ser, principalmente, álcool de uso químico para a Ásia". A falta de entusiasmo para firmar novos contratos de álcool com os Estados Unidos se deve ao fato de o mercado brasileiro estar pagando 23% mais (anidro). Desde o pico de preço desse combustível na Bolsa de Chicago (CBOT), em 27 de junho, a cotação caiu 20% - de US$ 2,94 o galão (3,785 litros) para US$ 2,34, em 22 de agosto. "Esse valor deveria estar em níveis de US$ 3,05 para compensar a exportação direta", acrescenta Rodrigues. Enquanto isso, no Brasil, o movimento foi inverso. O litro do álcool anidro, que no dia 27 de junho valia R$ 0,82 na usina de São Paulo, subiu para R$ 0,86, alta de 4,6%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). A tendência, pelo menos no curto prazo, é de que as cotações do etanol nos Estados Unidos continuem nesse patamar, acompanhando o movimento de estabilização do milho e do petróleo. "A produção local está acelerada, o que aumenta a oferta interna e limita a alta de preços. Pode ser que essa janela de exportação direta pelo Brasil leve um tempo para abrir-se novamente", diz Mário Silveira, da FCStone. (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Fabiana Batista)