Título: Petrobras usa nanotecnologia e economiza na perfuração
Autor: Americano, Ana Cecília
Fonte: Gazeta Mercantil, 11/09/2008, Indústria, p. C2
Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2008 - Ao lado de O Boticário e Companhia Vale do Rio Doce, (Vale) e a Quattor, a Petrobras é uma das poucas empresas brasileiras que já usufruem de resultados concretos obtidos com pesquisas em nanotecnologia - o ramo da ciência que trabalha com estruturas que medem entre um e cem bilionésimos de metro. Ou seja, medidas que compreendem estruturas de poucos átomos. A empresa, que possui uma rede temática para estudar o assunto com cinco universidades no Brasil, tem desenvolvido soluções para, por exemplo, permitir aos fluídos que são usados na perfuração em águas profundas que atuem de forma diversa conforme a situação. Quando a broca está em funcionamento, perfurando o poço, e a água está agitada, os fluídos com nanopartículas tornam-se de baixa viscosidade, facilitando o funcionamento da broca. Quando o trabalho é interrompido e a água se aquieta, o mesmo líquido com nanopartículas se torna altamente viscoso, impedindo que os resíduos da perfuração, que seriam escoados para fora, retornem e entupam o poço. Isso é possível porque as partículas que compõem os fluídos do processo foram concebidas para se dissociarem em ambientes agitados e se conglomerarem em ambientes com baixa agitação. O exemplo, uma das inúmeras aplicações da nanotecnologia, economiza aos cofres da Petrobras US$ 150 mil a cada parada de perfuração para a troca de brocas em águas profundas e foi apresentado, ontem, na Associação Comercial do Rio de Janeiro, pelo professor Marco Antonio Chaer Nascimento, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como um caso de sucesso de um mercado que, segundo o instituto de pesquisas internacional Lux Research, movimentará US$ 3,1 trilhões em 2015. No ano passado, só nos Estados Unidos, os nanoprodutos movimentaram US$ 88 bilhões. A palestra teve como objetivo chamar industriais fluminenses a participarem da IV Nanotec, uma feira e exposição sobre nanotecnologia, que será realizada em São Paulo, entre 12 e 14 de novembro. "O governo brasileiro entre 2000 e 2007 investiu por meio de suas universidades e centros de pesquisa R$ 160 milhões na pesquisa da nanotecnologia. Somando os investimentos do setor privado, estaríamos falando de um total de R$ 320 milhões no período", diz Ronaldo de Castro Marchese, diretor da Nanotec. "Isso é irrisório, tendo em vista o que já ocorre no exterior", afirma. Segundo o promotor do evento, um único laboratório bem equipado de nanotecnologia custa perto de US$ 160 milhões. "A Alemanha dispõe hoje de 263 deles; o Japão, mais de 400", diz Marchese, destacando que a maioria foi criada com investimento privado. Segundo ele, o principal desafio para o desenvolvimento da área que garantirá a produtividade brasileira está no desconhecimento do potencial da área pelo empresário brasileiro. (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2)(Ana Cecília Americano)