Título: GDF-Suez estréia em geração eólica no Brasil
Autor: Scrivano, Roberta
Fonte: Gazeta Mercantil, 11/09/2008, Infra-estrutura, p. C6

Fortaleza, 11 de Setembro de 2008 - A franco-belga GDF-Suez - gigante dos mercados de gás e eletricidade, resultado da recente fusão da Gaz de France e do grupo Suez - estréia hoje em geração eólica no Brasil ao colocar em funcionamento uma usina localizada na cidade cearense de Beberibe, a 83 quilômetros de Fortaleza, com potência de 26 megawatts - volume suficiente para abastecer cerca de 200 mil pessoas. A central foi adquirida recentemente da norte-americana Econergy International (Econergy), que, além dessa unidade, repassou para a multinacional franco-belga mais dois ativos: outra usina eólica e uma pequena central hidrelétrica (PCH). Esses dois últimos empreendimentos, porém, ainda serão construídos no País. Segundo Gil Maranhão, diretor de desenvolvimento de novos negócios da GDF Suez, o grupo já injetou US$ 159 milhões nos projetos para viabilizar a conclusão dos empreendimentos até o ano que vem. "O Brasil é target primário para o grupo GDF-Suez, queremos crescer neste País", afirma o diretor da companhia, que no mundo já soma 2 mil megawatts em centrais eólicas. A outra usina eólica comprada pelo grupo franco-belga, chamada de Pedra do Sal, está localizada no Piauí, também na região do Nordeste brasileiro, e terá potência de 18 MW. As obras, de acordo com o grupo, devem estar concluídas em dezembro. Já a Pequena Central Hidrelétrica será instalada em Minas Gerais, terá potência de 19 MW e deve ser inaugurada em janeiro do próximo ano. Apesar do alto custo da eólica, há a contrapartida da rapidez em que uma central fica pronta. "A obra de Beberibe teve início em junho do ano passado e foi concluída no início deste ano", comenta Frota. Edward Hoyt, vice-presidente sênio da Econergy, afirma ainda que neste empreendimento foram gerados 600 empregos diretos. O projeto de Beberibe consiste em 32 aerogeradores de 800 kilowatts cada, juntos totalizam uma potência de 25,5 megawatts. As torres tem 75 metros de altura, são compostas de concreto e aço. As pás tem 22,8 metros de comprimento totalizando um diâmetro de 48 metros. "O grande desafio da Econergy foi construir uma usina em cima de dunas móveis, muito característica aqui na região. Cada torre tem uma base de concreto de três metros de profundidade, ancoradas em dezesseis estacas de dezessete metros de profundidade", detalha Frota. Segundo ele, a usina é conectada ao sistema da Coelce por meio de uma linha de transmissão de 24 e somam 175 postes. A Suez, controladora da Tractebel Energia há dez anos, já é a maior geradora privada do País com 7,2 mil MW de potência. No Brasil, o grupo lidera o consórcio que venceu a disputa para a construção da hidrelétrica de Jirau, a segunda usina no Rio Madeira. "Estamos analisando outras propostas de aquisição de projetos de energia alternativa", comenta o diretor, sem dar detalhes das negociações. "Em dez anos no controle da Tractebel nós ampliamos a potência geradora em 90%", acrescentou. Ainda de acordo com Maranhão, esta não é a entrada do grupo no segmento de energias alternativas. "Nós já temos um projeto em operação desde 2003, em Lages, no estado de Santa Catarina, que é uma usina movida a biomassa de madeira", argumenta o executivo. Os empreendimentos de energia alternativa têm, no Brasil, como incentivo do governo federal o Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), que está previsto para acabar no fim deste ano. Questionado sobre se o fim do projeto pode prejudicar o desenvolvimento das fontes geradoras, Maranhão é enfático: "Com a usina de Lage (que entrou em operação antes do programa), somos um bom exemplo de que dá para viabilizar um empreendimento sem incentivo do Proinfa", diz. O executivo sugere outras formas de incentivo como formas de financiamento especiais, incentivo fiscal na compra de equipamentos ou na implantação, além de leilões específicos. A energia a ser gerada por Beberibe, por ser um projeto do Proinfa, já está contratada pela Eletrobrás. "Um megawatt-hora será vendido a R$ 231", comenta Eduardo Frota, gerente de projetos da Econergy, o valor é o mesmo para a energia de Pedra do Sal. "A PCH tem um valor mais baixo, o MWh será negociado a R$ 153", acrescenta o técnico. Viajou a convite da GDF-Suez(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)(Roberta Scrivano)