Título: Bird revê padrão e diz que a pobreza cresceu no mundo
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Fonte: Gazeta Mercantil, 27/08/2008, Internacional, p. A12
Washington, 27 de Agosto de 2008 - O Banco Mundial divulgou relatório ontem informando que há mais gente vivendo sob a linha da pobreza nos países em desenvolvimento do que se pensava anteriormente, agora que esse parâmetro foi reajustado de US$ 1 para US$ 1,25 por dia. A entidade calcula que em 2005 havia 1,4 bilhão de pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 por dia, o que significa um quarto da população dos países subdesenvolvidos. Em 2004, o cálculo era de 1 bilhão de pessoas vivendo com menos de US$ 1. Ainda assim, a cifra atual é bastante mais positiva do que a de 1,9 bilhão de pessoas que viviam com menos de US$ 1,25 em 1981. Exceção é a China, que vem conseguindo resultados positivos no combate contra a pobreza, o mundo continua vendo um aumento no número de miseráveis nos últimos 25 anos, inclusive na América Latina. Até mesmo a Índia, que alegava ser um exemplo de crescimento, demonstra ter um número maior de pobres hoje que em 1981 em termos absolutos. O recálculo da linha da pobreza foi feito a partir de novos dados obtidos pelos economistas do banco. As novas estimativas se baseiam em preços globais atualizados, e a revisão da linha de pobreza reflete o fato de que o custo de vida nos países em desen-volvimento é mais alto do que se pensava. Os dados são resultado de 675 entrevistas domiciliares em 116 países. "Essas novas estimativas são um grande avanço nas medições da pobreza, porque se baseiam em dados de preços muito melhores, garantindo que as linhas de pobreza sejam comparáveis em todos os países", disse Martin Ravallion, diretor do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento do Banco Mundial. Alcançar a meta Embora tenha sido registrado um aumento na quantidade global de pobres, o economista-chefe do Banco Mundial, Justin Lin, acha que ainda será possível alcançar a meta estabelecida pela ONU de reduzir à metade o número de pobres até 2015, em comparação a 2000. Os novos dados, porém, mostram que não há espaço para complacência, e que os países doadores precisam manter suas promessas de ampliar a ajuda ao desenvolvimento. Segundo ele, é preciso atenção especial à África Subsahariana. Ali, ao contrário do resto do mundo, a taxa não caiu nos últimos 24 anos, quando se aplica a nova linha de pobreza em US$ 1,25 por dia. Em 2005, metade da população subsahariana vivia com menos de US$ 1,25 por dia, assim como em 1981. Devido ao aumento populacional, o número total de pobres da região saltou de 200 para 380 milhões nesse mesmo período. Em outras regiões, por outro lado, houve declínio nas taxas de pobreza. No Leste Asiático (China incluída), a redução foi de quase 80% em 1981 para 18% em 2005 - no período, essa deixou de ser a região mais pobre. Na China, o número total de pobres caiu de 835 milhões em 1981 para 207 milhões. No Sul da Ásia, a taxa de pobreza pelos novos padrões caiu de 60% para 40%, mas o avanço foi contrabalançado pelo crescimento populacional, e o número total ficou em 600 milhões. Na Índia, a taxa caiu entre 1981 e 2005 (de 60% para 42%), mas o total de pobres cresceu (420, para 455 milhões). O Bird lembrou que países mais desenvolvidos têm linhas de pobreza mais elevadas, e que em casos como América Latina e Leste Europeu, mais adequado seria considerar como pobres os que vivem com menos de US$ 2 por dia. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 12)(Reuters)