Título: Portugal entra em recessão
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Fonte: Correio Braziliense, 14/05/2011, Economia, p. 24
A economia portuguesa entrou oficialmente em recessão, depois de uma contração de 0,7% no primeiro trimestre de 2011, anunciou ontem o Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Entre outubro e dezembro de 2010, o recuo havia sido de 0,6%. O retrocesso foi previsto pelos economistas, como consequência dos efeitos das novas medidas de austeridade implantadas em janeiro, especialmente a redução de salários e o aumento de impostos. O objetivo do plano é reduzir o deficit público, que chegou a 10% em 2009 e a 9,1% no ano passado.
Os resultados são piores que a previsão dos analistas, que projetavam uma contração limitada a 0,3% no primeiro trimestre ou até mesmo um crescimento zero.
O retorno à recessão, da qual Portugal havia saído no fim de 2009, aconteceu antes mesmo da adoção das novas medidas de rigor previstas em contrapartida à ajuda financeira de 78 bilhões de euros, negociada no início do mês entre o primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). O forte ajuste fiscal exigido deverá jogar o país ainda mais fundo no buraco da retração econômica.
A má notícia em Portugal veio no mesmo dia em que a Grécia, outro país com profundos problemas financeiros na Zona do Euro, anunciou que passou a caminhar no sentido inverso. A economia grega progrediu 0,8% de janeiro a março, após oito trimestres consecutivos de retração. O Ministério das Finanças considerou os dados positivos, pois significam um rompimento da longa recessão de dois anos. Em comparação com o primeiro trimestre de 2010, ainda houve um recuo, de 4,8%, segundo as estimativas da Autoridade de Estatísticas Gregas.
A última expansão do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas geradas) acontecera no quarto trimestre de 2009. Segundo as primeiras estimativas oficiais, a economia registrou contração de 4,5% em 2010, mas o ministério afirma que a queda foi de 4,35%. Para este ano, a Grécia aposta em um recuo de 3% do PIB. No entanto, a Comissão Europeia rebaixou as previsões econômicas para a Grécia, estimando uma contração de 3,5% em 2011, antes de voltar a crescer 1,1% em 2012.
Autoridades da Zona do Euro aumentaram a pressão para que o governo grego adote mais medidas de austeridade, após previsões econômicas fracas mostrarem que o país, altamente endividado, não conseguirá cumprir as metas fiscais sem reformas adicionais. O governo deve fechar o ano com um deficit de 9,5% do PIB, longe do objetivo de 7,6% acertado no pacote de ajuda financeira, se mantiver as políticas atuais, assegurou a Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia (UE).
¿Por causa de um crescimento mais fraco que o esperado no ano passado e mais alguns deslizes fiscais, há necessidade de tomar medidas adicionais de consolidação fiscal ainda neste ano¿, disse o comissário para Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Olli Rehn. ¿A quantidade dependerá da avaliação da nossa missão, atualmente em Atenas.¿
Ewald Nowotny, do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE), disse que a Grécia não está cumprindo os termos do resgate financeiro de 110 bilhões de euros. Nowotny deu a primeira confirmação pública de que a equipe de inspeção da UE e do FMI encontrou problemas. ¿A Grécia não tem cumprido as condições suficientemente nos últimos tempos. A questão das privatizações serão o ponto mais sensível aqui¿, afirmou.
Cisco demite até 4 mil A Cisco Systems deve demitir milhares de funcionários para realizar a meta de corte de custos de US$ 1 bilhão anunciada pelo presidente executivo John Chambers. Analistas estimam que a maior fabricante mundial de equipamento para redes eliminará entre 3 mil e 4 mil postos nos próximos meses. Isso equivaleria a até 5,5% dos 73 mil empregados permanentes da empresa. Essa pode ser a maior onda de demissões na história da companhia. O recorde anterior ocorreu em 2002, quando 2 mil pessoas foram dispensadas em meio ao estouro da bolha da internet nos Estados Unidos.