Na última década, a taxa de Analfabetismo entre mulheres caiu, elas se educaram mais, são maioria no Ensino superior, têm distorção menor em relação à idade e à série estudada. Mas isso não se refletiu na redução da desigualdade de emprego e renda, quando comparadas aos homens, aponta o estudo Estatísticas de Gênero, divulgado ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados do Censo 2010. No início da década, o rendimento feminino correspondia a 68% do ganho masculino – o que aponta para pequena redução da desigualdade; em 2000, equivalia a 65%.Cresceu a participação das mulheres na população economicamente ativa (que está trabalhando ou procurando emprego), mas a presença do homem ainda é 38,6% maior. E aumentou a disparidade no emprego formal: cresceu 18,4% entre os homens e 12,9% entre as mulheres. E mais: um terço das mulheres de 16 anos ou mais não tinha nenhum tipo de rendimento, porcentual acima do observado para os homens (19,4%). Em 2000, 45% das mulheres não tinham renda própria. “As mulheres são maioria entre os universitários. Se a gente superou gargalos de Educação,o que acontece no mercado de trabalho que tem essa questão da desigualdade de gênero mais realçada? Uma das hipóteses é de que elas estejam mais concentradas em áreas de formação, cujo rendimento auferido no mercado de trabalho é inferior aos dos homens. Tem ainda a questão da dupla jornada,da falta de Creche e Escola em tempo integral”, afirma a coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, Bárbara Cobo. Aumento da renda.O estudo mostra que houve um pequeno crescimento do rendimento feminino, o que reduziu ligeiramente as disparidades entre os sexos. Enquanto o rendimento médio dos homens variou 7,8% – passou de R$ 1.471 para R$ 1.587, entre 2000 e 2010; o das mulheres cresceu 12% no mesmo período, de R$ 959 para R$ 1.074 no mesmo período (12%). Mas esse aumento não foi uniforme em todo o País. A média do rendimento de uma trabalhadora do Centro-Oeste era 80,5% maior do que o de uma nordestina. Quando se comparam as pessoas que ganhavam em torno de um salário mínimo, os rendimentos médios entre homens e mulheres eram mais equilibrados – os ganhos delas equivaliam a 91% dos ganhos deles. Mas, ao se analisar os maiores rendimentos, a desigualdade se acentua:as mulheres ganhavam 66% dos salários dos homens. “O ambiente profissional ainda não foi plenamente conquistado pela mulher. Ela dá conta de ter formação equivalente ou melhor que a do homem, mas a pirâmide se fecha para galgar os postos”, afirma a pesquisadora Lígia Paula Sica, do Grupo de Pesquisa em Direito e Gênero, da FGV/Direito SP. Vera Lúcia Soares, secretária de Articulação Institucional da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, diz que as disparidades são históricas. “Está no Congresso um projeto de lei proposto pela SPM, que faz com que sejam incentivadas as empresas que fazem diminuir as desigualdades.Do ponto de vista de políticas públicas,temos atuado sobre a melhoria da qualidade de Ensino, as Escolas promovam igualdade, não discriminação.”