Pelo menos 117 cidades brasileiras estão em situação de risco para epidemia de dengue e de febre chikungunya, doenças com sintomas parecidos e transmitidas pelo mesmo mosquito. A maior parte dos locais ameaçados (96) está no Nordeste, segundo o Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa), divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. De acordo com a pesquisa, 813 municípios estão em situação satisfatória. Outros 533 estão em alerta, entre eles 10 capitais: Belém, Porto Alegre, Cuiabá, Vitória, Maceió, Natal, Recife, São Luís, Aracaju e Porto Velho.

Até ontem, 1.463 cidades haviam enviado os resultados da pesquisa à pasta, o restante ainda vai encaminhar os dados. Entre as capitais, Boa vista, Manaus, Palmas, Rio Branco, Fortaleza e Salvador estão pendentes. O LIRAa identifica se há focos de larvas dos mosquitos dentro das casas e em que local específico estão, como no prato de vasos de plantas, por exemplo.

Dessa forma, é possível estimar o risco de transmissão da doença e traçar estratégias para evitá-la. A classificação leva em conta a quantidade de criadouros encontrados. Os municípios em risco são os que têm 4% ou mais de imóveis com focos de larva. Se igual ou inferior a 3,9%, entram na categoria em alerta. Índices menores que 1% sinalizam situação satisfatória.

O número de municípios em risco teve queda em relação à pesquisa feita em novembro do ano passado, quando 159 cidades estavam nessa situação. A redução, entretanto, não significa baixar a guarda em relação às doenças, segundo o Ministério da Saúde, principalmente, no verão, quando se registra o maior número de casos. “O LIRAa permite que o prefeito saiba, nos seus municípios, quais são os bairros que têm maior incidência do mosquito. Em vez de agir sem saber onde está o problema, ele age sabendo onde está o foco”, disse o Secretário de Vigilância Sanitária da pasta, Jarbas Barbosa.

No Nordeste, por exemplo, 78,8% dos focos estavam em depósitos de armazenamento de água. Segundo Barbosa, o dado pode ter relação com a seca, que leva as pessoas a “guardarem” água. Já no Sudeste, a maior parte dos focos (55,1%) se encontrava em depósitos domiciliares, como pratos de plantas.

No Centro-Oeste, os criadouros estão uniformemente distribuídos em recipientes de abastecimento de água, lixo e depósitos domiciliares. No Sul, a maior parte (47,3%) das larvas foi encontrada no lixo que fica nas casas. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, ressaltou que no Sudeste, onde cidades passam por crises de abastecimento, é necessário que as pessoas tomem cuidado com a forma de “guardar” água, se o fizerem.

 

“Primo Chico”

Desde que começou a ser transmitida no Brasil, em setembro, até 25 de outubro, já foram confirmados 824 casos da chikungunya, sendo apenas 39 importados. As Américas vivem um surto da doença. Os locais que registraram maior incidência do vírus são Oiapoque (AP) e Feira de Santana (BA), ambos em epidemia. Chioro contou que, nesses municípios, a enfermidade já é chamada de “primo Chico” — um apelido para o nome complicado da doença que é chamada de prima da dengue.

Em relação à dengue, neste ano, foram notificados 556.317 casos, uma redução de 61% em relação a 2013. O número de óbitos pela doença também caiu de 646, em 2013, para 379, neste ano. Pelo risco de epidemia das duas doenças, o Ministério anunciou ontem o início da campanha contra dengue e febre chikungunya, com o slogan: “O perigo aumentou. E a responsabilidade de todos também”.

As doenças têm sintomas semelhantes, mas a chikungunya é menos letal e dificilmente evolui para casos graves. Porém, ela se diferencia da dengue por provocar dores acentuadas nas articulações, que podem se tornar crônica. Além do Aegypti, a chikungunya é transmitida pelo Aedes Albopictus, que entrou na relação dos pesquisados no LIRAa. O combate à chikungunya é feito da mesma forma que à dengue: controlando a proliferação dos mosquitos.

“Não tenhamos dúvida de que o perigo aumentou e a responsabilidade é de todos”

Arthur Chioro, ministro da Saúde

 

Fique atento

Confira os sintomas:

 

Chikungunya

» Febre acima de 39 graus repentina

» Dor de cabeça

» Manchas vermelhas no corpo

» Dores e inchaço nas articulações, principalmente de mãos e de pés, que podem durar até três anos

 

Dengue

» Febre alta

» Dor de cabeça

» Dor atrás dos olhos

» Dores nos músculos, no corpo e nas juntas

» Manchas vermelhas no corpo

Fonte: Ministério da Saúde