A balança comercial brasileira fechou com um saldo negativo de US$ 1,2 bilhão em outubro, registrando o pior resultado para o mês desde 1998, quando a diferença entre as exportações e importações brasileiras ficou no vermelho em US$ 1,4 bilhão. O resultado do mês passado foi cinco vezes maior que o deficit de US$ 230 milhões de outubro de 2013.
As exportações no mês passado encolheram 19,7% em comparação com outubro de 2013, somando US$ 18,3 bilhões. As importações recuaram 15,4%, para US$ 19,5 bilhões na mesma base de comparação. De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), Daniel Godinho, esse resultado ruim das exportações é reflexo, principalmente, da queda nos embarques de minério de ferro, um dos principais itens da nossa pauta, devido à forte redução preço do produto (em torno de 20%, no ano, e de 40%, no mês passado) e do tombo de cerca de 50% nas vendas externas de veículos em outubro, cujo destino principal é a Argentina.
“A queda de preço do minério de ferro foi maior que a esperada tanto por nós quanto pelo mercado. As exportações para a Argentina caíram 27% no ano e somente os embarques de veículos encolheram 44%. Esses dois itens explicam, em parte, o resultado de outubro”, disse.
No acumulado do ano, o rombo na balança comercial foi de US$ 1,87 bilhão, levemente abaixo do saldo negativo de US$ 1,99 bilhão registrado de janeiro a outubro de 2013, de acordo com os valores ajustados da série histórica pelo Mdic. Sem essa correção (que o órgão considera normal uma vez que ela pode ocorrer em até cinco anos), o deficit acumulado em 10 meses no ano passado seria de US$ 1,83 bilhão, o pior para o período em 16 anos.
Apesar desse resultado ruim, Godinho ainda aposta que a balança comercial fechará o ano com superavit, devido à melhora na conta petróleo, uma vez que a produção nacional de combustíveis está aumentando, e as importações do produto diminuindo. Outras apostas são na melhora das exportações de minério de ferro e no aumento dos embarques de carnes. “Vamos manter uma perspectiva de resultado positivo para o fim do ano. Precisamos aguardar o mês de novembro. É importante lembrar que o minério de ferro pode ter um comportamento positivo em relação ao preço e, principalmente, em quantidade embarcada”, disse ele, informando que em outubro foram exportados US$ 183 milhões de carne suína, o melhor resultado desde maio de 2009. Os principais destinos foram: Rússia, Hong Kong e Venezuela.
IR pode ter rascunho

A Secretaria da Receita Federal anunciou ontem a lançamento de um aplicativo que possibilitará fazer o rascunho da declaração do Imposto de Renda ao longo do ano. Os dados poderão ser inseridos e acessados em computadores e dispositivos móveis conectados à internet, como smartphones e tablets.
Segundo o subsecretário de Arrecadação e Atendimento do Fisco, Carlos Roberto Occaso, o objetivo do rascunho “é permitir que o contribuinte vá preparando a declaração à medida que os fatos vão acontecendo”. Por exemplo, poderão arquivar recibos de consultas com dentistas e médicos ao sair do consultório. “Se estiver no rascunho, na hora de declarar, basta importar os dados para fazer a declaração”, explicou Occaso.
Segundo estatísticas da Receita, todos os anos cerca de 30% dos declarantes caem na temida malha fina por erros no preenchimento do formulário das despesas dedutíveis admitidas. Esse aplicativo permitirá evitar este estresse.
Em 2014 foram entregues 26,8 milhões de declarações, das quais 1,1 milhão usou o recurso de preenchimento automático. “Estamos tentando nos adiantar. Tínhamos uma demanda muito grande por esse produto”, explicou Maria Rita de Abreu, coordenadora de Sistemas da Receita.
A medida vai facilitar também a vida do trabalhador liberal, que não tem o serviço de um contador, a guardar os recebimentos mensais. Entre as operações que poderão ser lançadas, estão: dependentes, despesas dos dependentes, rendimentos, pagamentos efetuados ao longo do ano e movimentação de bens e direitos.
Os dados poderão ser arquivados no aplicativo até 28 de fevereiro. Em 1º de março, o contribuinte tem a opção de importar ou não para a declaração final.

Indústria desemprega
Pelo sétimo mês consecutivo, a indústria brasileira demitiu mais do que contratou. Em setembro, o nível de emprego recuou mais 0,6%, sustentando uma trajetória de declínio iniciada em março, segundo os dados divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em 2014, ano já considerado perdido pelo setor, o indicador do mercado de trabalho acumula queda de 1,6%.
Caso não ocorra uma inesperada reversão no cenário, a indústria pode terminar o ano com menos gente empregada do que em janeiro. “Para o volume de emprego industrial, não se trata de uma queda trivial”, comentou o gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, reforçando a avaliação desfavorável dos resultados.
O arrefecimento do emprego puxou para baixo também a massa salarial e o rendimento médio real dos trabalhadores da indústria, com recuo de 0,6% e de 0,5% do segundo para o terceiro trimestre do ano, respectivamente. O pequeno aumento de 0,8% no faturamento, em setembro, não impediu o trimestre negativo e retração de 2,1% no acumulado do ano.
A CNI continua prevendo uma diminuição de 2,2% em 2014 do Produto Interno Bruto (PIB) industrial. “Não há sinais de recuperação diante do ambiente atual”, disse Castelo Branco, antes de enumerar o mix de inflação e juros altos, baixo crescimento econômico e necessidade de ajustes fiscais. “Há um certo desapontamento. Estamos todos em compasso de espera”, emendou.
Venda de carros despenca
As vendas de veículos novos no Brasil em outubro caíram 7% na comparação a igual período de 2013, apesar de em relação a setembro ter havido crescimento de 3,6%. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), os licenciamentos de carros no mês passado somaram 216,6 mil unidades, enquanto os emplacamentos de comerciais leves foram de 74,8 mil. O setor teve ainda vendas de 12 mil unidades de caminhões e de 3,1 mil ônibus no mês passado. Até o fim do ano, a Fenabrave espera um aquecimento nas vendas, devido à antecipação de compras por conta do término do benefício do IPI, programado para o dia 31 de dezembro.
