Derrotada em 2010 nas unidades da Federação com maior produção agropecuária do país, Dilma Rousseff (PT) investiu mais de R$ 500 bilhões, entre 2011 e 2014, nos Planos Agrícola e Pecuário, de incentivo ao setor. Neste ano, de eleições, o investimento foi recorde: R$ 156,1 bilhões. O recurso, no entanto, não foi o bastante para que a petista angariasse maior simpatia entre os brasileiros que vivem do campo. Aécio Neves (PSDB) bateu a petista em todos os estados do Sul e do Centro-Oeste, responsáveis pela maior parte da produção brasileira de soja, milho, trigo, cana, algodão, arroz e feijão. Das principais culturas, o PT só venceu em Minas Gerais, líder da produção de café. A convocação de ministros pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, na primeira oportunidade após as eleições, é um dos indicativos da insatisfação do setor com o Palácio do Planalto.

Em Mato Grosso, por exemplo, Aécio conseguiu 54,69% dos votos. O estado é líder no cultivo de algodão (com 56,2% da produção nacional), soja (31,4%), milho (21,6%), e, ainda, dono do maior rebanho bovino do país (17% dos animais abatidos em 2013). Em Goiás, que frequenta as primeiras posições nos rankings de grãos e de cana de açúcar, o tucano conseguiu a melhor votação no Centro-Oeste, com 57,11%. Vale lembrar que, além do fator agropecuário, o índice obtido entre os goianos é explicado pelo sucesso da candidatura do tucano Marconi Perillo, reeleito para o governo. Na Região Sul, que deve liderar a produção leiteira a partir de 2015, a petista só obteve 46,47% dos votos no Rio Grande do Sul, apesar da força histórica do PT no estado. Em Santa Catarina e no Paraná, Aécio ultrapassou os 60% de preferência do eleitorado.

“Este ano, trabalhamos com as propostas do Aécio. Entendemos que eram melhores do que as de Dilma”, explica Luis Carlos Heinze (PP-RS), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária. Questionado sobre o igual sucesso do PSDB nos estados produtores desde 2006, com Geraldo Alckmin, ante os pesados investimentos dos governos petistas no setor, o deputado federal explica que os bons olhos do campo sobre o PSDB não são de hoje. “Com FHC, pavimentamos o Brasil para a arrancada da produção agropecuária. O pessoal não se esquece daquele início”, justifica, lembrando que a safra colhida no primeiro ano do governo Lula, que cresceu 10%, foi plantada ainda durante a gestão tucana.

Ele ressalta que, em valores atualizados, o governo federal investiu R$ 174 bilhões no setor. “A produção era lá embaixo e tinha muito mais financiamento, o volume de crédito era 10 vezes maior, proporcionalmente.” Outro fator de descontentamento com o governo federal está ligado à indefinição do Executivo quanto a questões diretamente ligadas ao campo. “A ideologia do seu Gilberto Carvalho, deitando e rolando em cima da questão indígena, dos quilombolas, o MST desmerecendo os produtores... Pega essa ala radical do PT ainda falando em modelo agroexporta dor, contra defensivo agrícola, enquanto o setor leva o país nas costas”, lamenta. Em 2013, a agropecuária representou 4,85% do PIB brasileiro.

Cinturão tucano

Votação de Aécio no segundo turno e destaque da produção agrícola

Mato Grosso
54,69% — soja, algodão, milho e gado de corte

Mato Grosso do Sul
56,33% — soja, milho e gado de corte

Goiás
57,11% — cana-de-açúcar e milho

Rio Grande do Sul
53,53% — arroz, trigo, leite

Paraná
60,98% —feijão, trigo, milho e leite

Santa Catarina
64,59% — leite

São Paulo
64,3% — cana de açúcar

Espírito Santo
53,85% — café

Agenda política

Judiciário

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decide, amanhã, se aceita o pedido de auditoria no segundo turno, registrado pelo PSDB. 

Na terça, termina o prazo para os candidatos que não disputaram o segundo turno prestarem conta à Justiça Eleitoral. 

Executivo
A presidente Dilma Rousseff inicia a semana sem agenda oficial. 

Legislativo
Amanhã, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados discute e vota o relatório do processo contra o deputado Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ). 

A Câmara pode votar a Medida Provisória nº 657/14, que reorganiza as carreiras de servidores efetivos da Polícia Federal (PF); 

O Senado pretende levar ao Plenário da Casa o projeto que altera o indexador da dívida dos estados de IGP-DI para taxa Selic.