Um dia depois de ser anunciada, a proposta do governo para mudar a meta fiscal sofreu duras críticas.
O presidente do TCU, Augusto Nardes, chamou a medida de improvisação e jeitinho. O senador Aécio
Neves (PSDB-MG) disse que a oposição estuda medidas judiciais porque, para ele, a presidente Dilma
incorrerá em crime de responsabilidade se o projeto for aprovado. O governo enfrenta resistência também
em sua base. A bancada do PMDB na Câmara surpreendeu o partido e pediu tempo para apreciar a
proposta. O projeto do governo amplia descontos da meta fiscal, dando aval para o país registrar déficit
este ano. -BRASÍLIA E SÃO PAULO- A mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias ( LDO) de 2014
proposta pelo governo, que o libera, na prática, do cumprimento da meta fiscal neste ano, provocou
reações ontem dentro e fora do Congresso. O presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes,
classificou a proposta de “improvisação”. Já o senador Aécio Neves (PSDB-MG) criticou a manobra e disse
que a oposição irá estudar medidas judiciais porque, para ele, a presidente Dilma Rousseff incorrerá em
crime de responsabilidade, caso o projeto seja aprovado.
Apesar dos acenos de apoio da base aliada, o governo começou a enfrentar dificuldades reais para
aprovar o projeto, que permite a dedução de todas as despesas com o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) e desonerações da meta de superávit primário (economia para o pagamento dos juros
da dívida pública). A oposição obstruiu as votações, e a sessão do Congresso para votação de vetos
presidenciais que trancam a pauta foi cancelada. Além disso, a bancada do PMDB na Câmara pediu mais
prazo para apreciar a proposta.

— É uma improvisação que gostaríamos que não acontecesse no país. O Brasil tem que acabar com
essa improvisação, com esse jeitinho de acertar as contas. Temos que ter um planejamento mais
adequado — disse Augusto Nardes, ao ser perguntado sobre a mudança na LDO, após entregar ao
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a lista de obras consideradas irregulares pelo TCU, em
2014.
AÉCIO CHAMA MEDIDA DE ‘VIOLÊNCIA’
Já o senador Aécio Neves (PSDB-MG) voltou a falar em estelionato eleitoral e afirmou que, com a
proposta enviada ao Congresso, o governo dá um mau sinal sobre as boas práticas fiscais.
— Alerto ao Congresso que, se aprovada uma medida como essa, o sinal que estamos dando é que
não há mais lei a ser cumprida. Basta que, no momento em que uma lei não for cumprida, o governante
a altere com sua maioria. Espero que o Congresso se respeite, respeite suas prerrogativas, e impeça essa
violência — afirmou. — O governo devia ter a humildade de dizer que falhou, que fracassou.
Ao comentar a medida o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse ontem que a
presidente Dilma Roussef “está quebrando” o Brasil.
— A situação do país é difícil, eles não têm como cumprir o superávit fiscal. Eles têm que reconhecer
isso. Dilma disse que eu quebrei o Brasil três vezes. Não sei quando, mas agora ela está quebrando —
afirmou o ex-presidente, depois de participar de seminário em São Paulo.