Título: Crédito de R$ 107 bi
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Fonte: Correio Braziliense, 18/06/2011, Economia, p. 15

Diante dos temores de que o Código Florestal, aprovado pela Câmara e apreciado agora pelo Senado, pode acelerar o desmatamento, a presidente Dilma Roussef garantiu ontem que o Brasil pode combinar o desenvolvimento agrícola com a proteção ambiental. Para ela, o país tem condições de se tornar uma potência no segmento. "Não há contradição, nem pode haver. Um país que quer ser potência agrícola tem que ser também uma potência ambiental", afirmou.

As declarações foram feitas durante o lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012, em Ribeirão Preto (SP), evento presenciado especialmente por empresários, que prevê R$ 107,2 bilhões em linhas de crédito para o agronegócio. Do total, R$ 3,15 bilhões serão destinados a agricultores que investirem em técnicas que aumentem a produtividade no campo e reduzam a emissão de gases do efeito estufa. "É possível ter compromisso com o meio ambiente e, ao mesmo tempo, com a agricultura e a pecuária", disse a presidente.

O plano também vai financiar a renovação e a ampliação dos canaviais brasileiros. A medida foi pensada para atender a necessidade crescente de etanol no mercado. A presidente afirmou que a linha é "essencial para o país não perder sua posição (no mercado mundial) em relação ao etanol". O Brasil é o segundo maior produtor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que produzem o combustível a partir do milho.

Veto Críticos do texto do novo Código Florestal afirmam que ele anistia desmatadores e pode incentivar a destruição da floresta. Dilma, porém, já afirmou que vetará qualquer trecho do código que considere prejudicial ao país. "Nós não somos a favor do desmatamento e não vamos compactuar com ele. Achamos que a agricultura nem a pecuária precisam disso", afirmou.

Além de citar o Brasil como uma potência na produção de alimentos, Dilma defendeu a necessidade de maior produção com menor uso de terra. Ao destacar a defesa ambiental, criticou outros países que alegam que o Brasil estaria desmatando a favor da agropecuária. "Aqueles que nos apontam muitas vezes tentando uma competição desleal dizem que estamos desmatando a Amazônia e produzindo cana-de-açúcar. São os mesmos que tentam dessa forma uma competição desleal", comentou.