Enquanto 32 novos embaixadores estrangeiros eram recebidos ontem pelo chanceler brasileiro, Luiz Figueiredo, no Itamaraty, servidores protestaram contra atrasos nos aluguéis das residências funcionais dos diplomatas brasileiros que atuam no exterior. Os novos embaixadores almoçavam com o chanceler depois de terem entregue suas cartas credenciais à presidente Dilma Rousseff, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto.

A manifestação reuniu cerca de 40 servidores, que empunhavam faixas com os dizeres "Presidenta Dilma, a situação é crítica", "Adianta deixar o meu país vivendo essa situação infeliz?" e "Não tire meu abrigo, que eu brigo". Segundo a presidente do Sindicato dos Servidores do Itamaraty (Sinditamaraty), Sandra Maria Nepomuceno Malta, o auxílio-moradia dos diplomatas residentes no exterior não é pago há dois meses. O plano de saúde também estaria atrasado. O ato contou com o barulho de vuvuzelas que certamente foi ouvido pelos novos embaixadores, no salão do Itamaraty:

- A presidente Dilma tem que saber da pressão e dos constrangimentos que os servidores que moram fora estão passando. São dois meses de aluguel atrasado. Eles estão tendo que pedir empréstimos em bancos no exterior. O salário não é suficiente. Se não tiver residência funcional, acabou. Pode fechar as embaixadas e voltar todo mundo.

Sandra disse que cerca de dois mil funcionários estão sendo afetados pelos atrasos. O Brasil tem 226 embaixadas no mundo. O decreto autorizando o crédito suplementar para o pagamento dos aluguéis atrasados foi publicado no Diário Oficial da União de ontem. O montante corresponde a R$ 26,5 milhões.