O mercado financeiro continua sofrendo com a incerteza sobre o substituto de Guido Mantega no Ministério da Fazenda e as indefinições a respeito da política econômica do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Ontem, o dólar subiu 1,20% e terminou o dia cotado a R$ 2,595 para a venda, o maior valor desde 18 de abril de 2005. Na máxima da sessão, a divisa atingiu R$ 2,612. O giro financeiro ficou em torno de US$ 900 milhões, um volume considerado baixo, segundo operadores. O clima também foi ruim na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), que teve o terceiro dia de queda na semana. 

"Cada dia, ouvimos uma notícia indicando um nome diferente para a Fazenda. O mercado não sabe mais para onde apontar, então vai se proteger no dólar", disse o gerente de Operações do Banco Confidence, Felipe Pellegrini. Os rumores de que Dilma estaria propensa a indicar o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que fizeram a bolsa a subir na quarta-feira, perderam força, o que enfraqueceu os negócios. 

O ex-secretário executivo do ministério, Nelson Barbosa, apontado por muitos como o preferido da presidente, negou ontem que tenho sido consultado. E a viagem de última hora do presidente do BC, Alexandre Tombini, para acompanhar Dilma na reunião do G-20, na Austrália, alimentou as especulações de que será ele o indicado. A presidente já afirmou que só anunciará nomes de sua equipe ministerial após a cúpula deste fim de semana, o que tem sustentado a cautela dos investidores e deixado o mercado mais sensível a boatos e especulações. 

"Enquanto não soubermos qual será a próxima equipe econômica, o dólar vai continuar assim: sem volume e reagindo a fatores pontuais", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano. A disparada da divisa aconteceu mesmo com o Banco Central dando seguimento às intervenções diárias no mercado. Ontem, o BC vendeu o equivalente a US$ 197,2 milhões em operações de swap cambial e rolou todos os contratos com vencimento em 11º de dezembro. 

Ações 
O pessimismo com a economia também influenciou os negócios na Bovespa, onde apenas oito ações fecharam em alta. O Ibovespa, principal indicador do pregão, recuou 2,14%, para 51.846 pontos. O volume de negócios foi de apenas R$ 4,9 bilhões, bem abaixo da média diária de 2014. 

As ações da Petrobras aceleraram as perdas no fim do dia, com investidores cautelosos em relação ao balanço do terceiro trimestre da companhia, que pode ser divulgado hoje, o limite estabelecido pela legislação. As ações ordinárias da empresa caíram 3,03% e as preferenciais, 3,61%.

 

 

Caixa eleva o crédito

A Caixa Econômica Federal teve lucro líquido de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre, valor que representou uma alta de 1,7% em comparação ao mesmo período de 2013. O balanço da instituição, divulgado ontem, mostra um expressivo aumento no volume de crédito do banco, que, no fim de setembro, era de R$ 576,4 bilhões — um avanço de 24,4% em 12 meses, em ritmo bastante superior à média do mercado.

Como comparação, o estoque de empréstimos do Itaú Unibanco aumentou 10,2% na mesma comparação, o do Santander Brasil subiu 5,6%, o do Bradesco teve avanço de 7,7% e o do Banco do Brasil evoluiu 12,3%. O crédito imobiliário da Caixa, maior do segmento no país, chegou a R$ 320,6 bilhões, após crescer 26,1% em 12 meses. Já a carteira de infraestrutura aumentou 52,8%, alcançando R$ 51,3 bilhões.

O índice de inadimplência, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, foi de 2,72%, uma ligeira queda em relação ao trimestre anterior (2,77%) e pouco maior do que o registrado um ano antes (2,4%). Apesar da relativa estabilidade desse indicador, a Caixa aumentou as provisões para perdas. Foram reservados R$ 3,28 bilhões para essa finalidade, 39% a mais do que em setembro de 2013. 

 

Acordo da OMC avança

 

Nova Delhi — Estados Unidos e Índia anunciaram ontem um entendimento sobre subsídios agrícolas que deverá possibilitar a aplicação de um amplo acordo adotado no fim de 2013 pelos 160 países-membros da Organização Mundial de Comércio (OMC). O tratado estava bloqueado desde julho, depois que a Índia exigiu não ser submetida a eventuais sanções por manter expressivas reservas de alimentos. 

Concluído em dezembro do ano passado, na cúpula de Bali, na Indonésia, o Acordo de Facilitação de Comércio (TFA, na sigla em inglês) reduz barreiras alfandegárias e tem potencial para gerar bilhões de dólares por ano em atividade econômica, segundo o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevedo.

A formação de estoques de alimentos subsidiados, no entanto, é considerada uma infração pelos regulamentos da OMC. Os Estados Unidos temiam que as reservas indianas fossem desviadas para o mercado, distorcendo as regras internacionais de comércio. A Índia, por sua vez, afirmava que seus estoques são essenciais para garantir a sobrevivência de consumidores e camponeses pobres. Pelo entendimento firmado ontem, os programas de segurança alimentar indianos não serão questionados “até que seja adotada uma solução permanente sobre o tema”.