O aumento de 3% no preço da gasolina não vai ajudar o setor de etanol a recuperar espaço no mercado. De acordo com a Unica, associação que representa a indústria de açúcar e de álcool, o reajuste deverá ser diluído ao longo da cadeia de combustíveis, resultando em uma alta de menos de 1,5% nas bombas, um percentual muito pequeno para beneficiar o segmento.
"Francamente, o efeito é nulo para o etanol. Acho que qualquer mudança de margem de postos ou distribuidores obscurece esse aumento (da gasolina)", afirmou a presidente da entidade, Elizabeth Farina, em entrevista à Reuters.
Com o controle de preços feito pelo governo para evitar pressões sobre a inflação, as usinas enfrentam um teto no preço da gasolina que limita altas das cotações do etanol. Isso porque, para os motoristas de carros flex, não compensa abastecer com o biocombustível se, na bomba, ele custar mais de 70% do valor do derivado de petróleo.
Para Farina, o efeito também é neutro para a produção de açúcar. Assim, as usinas não deverão alterar o mix de produção em favor ao etanol além do que já está sendo praticado na atual safra. Segundo ela, o aumento dos combustíveis preserva algumas características de outras altas de preços, que se preocuparam muito mais em recompor valores para a Petrobras do que com a indústria sucroalcooleira.
Mistura
A presidente da Unica disse que o setor mantém a proposta de restabelecimento da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na venda da gasolina, o que poderia melhorar a competitividade do etanol.
A entidade também defende o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 25% para 27,5%, o que poderia elevar os ganhos, na medida em que esse tipo de álcool é um dos produtos que mais remunera a indústria. A elevação já foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff, mas a decisão efetiva depende, segundo a lei, da comprovação da viabilidade técnica.
Lucro cresce R$ 5,7 bi

A Petrobras terá um incremento anual de R$ 5,7 bilhões no lucro calculado antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização - Ebitda, na sigla em inglês - a partir dos reajustes dos preços da gasolina, de 3%, e do diesel, de 5%, anunciados na quinta-feira. O cálculo foi feito pelo Citi. Em relatório a clientes, o banco explicou que o acréscimo representará aproximadamente 8% do lucro previsto para 2014. A instituição observou, no entanto, que as correções ficaram aquém do esperado.
Para analistas de mercado, a política de preços permanece um elemento chave para a recuperação da confiança dos investidores, diante das perdas sofridas pela empresa, nos últimos anos, com a importação de combustíveis a valores mais altos do que os de venda no mercado interno. "Infelizmente, segue a política de sacrificar os aumentos de preços para apoiar a macroagenda política", afirmou o Itaú BBA, em relatório publicado ontem.
Apenas no primeiro semestre deste ano, segundo o Itaú BBA, a Petrobras teve perda de R$ 2,9 bilhões com importações de gasolina e diesel. Para o Citi, o mercado esperava reajuste de pelo menos 5% em ambos os combustíveis. Por isso, o anúncio pode "decepcionar um pouco os investidores".
