Em depoimento prestado à Polícia Federal, em Curitiba, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, um dos presos da Operação Lava-Jato, afirmou que recebeu, no ano passado, R$ 1,6 milhão da UTC Engenharia, uma das empreiteiras integrantes do cartel montado na estatal. Duque alega que o recurso, recebido “em vários pagamentos de menor valor”, refere-se a um serviço de consultoria prestado à empresa em questão. Ele contou que auxiliou a UTC “no processo para que ela se capacitasse a participar como operadora na área de Floatin Production Storage Offloading”. Conforme as informações prestadas, o valor foi depositado na conta da D3TM — Consultoria e Participações depois de emissão de nota fiscal. 

Duque disse que conhecia o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar, desde 1988. Ele ressaltou que Costa “não pediu para sair” da Petrobras; no entanto, “foi instado a solicitar a renúncia”. O ex-diretor negou conhecer o doleiro Alberto Youssef, um dos líderes da organização criminosa que movimentou R$ 10 bilhões.

Ele informou que conhece o tesoureiro do PT João Vaccari Neto desde 2010. Duque salientou que “criou uma empatia e, por conta da amizade, passou a manter encontros com o mesmo, sempre de cunho social, por ser pessoa agradável para o convívio”. De acordo com Duque, a maioria das conversas com Vaccari ocorria em jantares no Rio de Janeiro e em São Paulo. O ex-diretor disse que não orientou o empresário Augusto Mendonça Ribeiro, da Toyo Setal, a procurar o tesoureiro do PT para tratar de doações eleitorais. 

Em relação ao lobista Fernando Baiano, apontado como o operador do PMDB no esquema criminoso, Duque salientou que, apesar de ter sido apresentado a ele, não mantinha “nenhum tipo de vínculo ou negócio” com o suspeito.

Contratos 
O ex-diretor afirmou recordar-se que a Toyo Setal, de Julio Camargo e Augusto Mendonça Ribeiro, responsável por delatar propina paga a Duque no exterior, teria ganho “alguns contratos na Petrobras, mas não se lembrava quais”. Ele informou que esteve com Mendonça “numa mesma viagem para um país da Ásia” com objetivo de visitar estaleiros e “ver o que poderia ser trazido para o Brasil”.

As investigações da PF apontam que o ex-diretor fazia parte do esquema que consistia no direcionamento de obras a um cartel de grandes empreiteiras, que inseriam sobrepreço nos contratos para depois distribuir comissões ao PT, ao PMDB e ao PP, que, inclusive, usaram o dinheiro na campanha eleitoral de 2010.

Ao lado do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, Duque era responsável por contratações e compras da petrolífera. No interrogatório na Justiça Federal do Paraná, Costa acabou entregando o ex-amigo e delatou que os pagamentos de propina de 3% destinados a políticos existiam em todas as diretorias. No depoimento, Duque negou participação em irregularidades e afirmou que “o procedimento para a escolha de empresas sempre seguiu os procedimentos normais da companhia”.

Oposição pede saída de Foster
O PSDB protocolou duas representações solicitando o afastamento da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, do cargo. Os pedidos foram feitos à Procuradoria da República no Distrito Federal e no MP junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). De acordo com o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imabassahy (BA), a executiva perdeu a “autoridade moral” para presidir a estatal. O deputado federal acusou Foster de ter mentido ao dizer, na CPMI da Petrobras, que não havia sido informada sobre pagamento de suborno a funcionários da empresa pela SBM Offshore. Na segunda-feira, ela recuou e admitiu ter sido avisada da negociata na estatal.