Em menção indireta ao escândalo da Petrobras e à prisão de grandes empreiteiros, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que o Brasil sairá mais forte deste processo por "respeitar as regras do Estado de Direito". Ela destacou que os delitos nunca foram tão investigados e que as apurações ocorrem sem interferência do Executivo. Dilma voltou a dizer que não tolera corruptos nem corruptores, mas que dará garantias à defesa dos acusados.

- Falamos a verdade quando destacamos que o combate à corrupção nunca foi tão firme e severo como agora no meu governo. Não foi tão firme e severo por duas características que tornam este momento inédito: a Polícia Federal e o Ministério Público, instituições do Estado brasileiro, estão investigando corruptos e corruptores, e não há qualquer tipo de pressão do governo para inibir as investigações. Queremos a investigação em toda a sua integralidade e garantir também as condições democráticas do direito à defesa. O Brasil sairá muito mais forte deste processo. Mais forte ainda por respeitar as regras do Estado de Direito em que vivemos - discursou Dilma, sob aplausos, durante conferência de Educação.

A presidente destacou que durante a campanha defendeu que a situação econômica do Brasil estava sob controle e que agora têm sido divulgados indicadores que confirmam suas afirmações.

- Com o fim da campanha eleitoral, a verdade começa a aparecer com mais clareza. A inflação está sob controle, há sinais de recuperação do crescimento, e a renda do trabalho continua subindo. Soubemos esta semana que a taxa de desemprego de outubro foi de 4,7%, a mais baixa de toda a série para este mês - destacou.

Em Foz do Iguaçu, o ex-presidente Lula evitou responder sobre a Operação Lava-Jato.

- (Tem de) Falar com a Polícia Federal - afirmou Lula, sobre a investigação do esquema de desvio de recursos da Petrobras e o pagamento de propina a políticos de PT, PMDB e PP.

 

 

PSDB pede à Justiça o afastamento de Graça Foster

O Globo - 21/11/2014

No STF, Gilmar diz que mensalão seria "pequenas causas" perto da Lava-Jato

BRASÍLIA - O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), protocolou ontem duas representações pedindo o afastamento imediato da presidente da Petrobras, Graça Foster, e uma investigação contra ela por falso testemunho e prevaricação. Na representação enviada à Procuradoria da República no Distrito Federal, Imbassahy solicita que seja analisada a possibilidade de instauração de inquérito criminal. Para o deputado, Graça teria mentido à CPMI da Petrobras e não teria dado o encaminhamento devido às denúncias que depois confirmou ter recebido.

Na ação enviada ao Ministério Público junto ao TCU, o líder tucano registra que, quando esteve na CPMI da Petrobras como testemunha, em junho deste ano, Graça Foster foi perguntada sobre quando e de que forma soube das denúncias de que a SBM Offshore estava sob investigação em outros países por supostos pagamentos de subornos a funcionários de empresas em diversos países, incluindo o Brasil. Na ocasião, a presidente da estatal respondeu que teria sido informada apenas pela imprensa, em fevereiro, e alegou que a Petrobras não tinha identificado sequer indícios do pagamento de US$ 139 milhões a agentes da Petrobras pela SBM.

Em entrevista recente, Graça Foster afirmou que passadas algumas semanas da investigação interna da Petrobras, iniciada em março, foi informada de que havia pagamentos de propina para empregados ou ex-empregados da Petrobras.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ontem que o mensalão teria sido um caso para "juizado de pequenas causas", em comparação aos escândalos de corrupção da Petrobras. Gilmar considerou o caso da estatal preocupante, diante da "vastidão" das denúncias.

- Sem dúvida nenhuma, é muito grave. (No mensalão) Nós falávamos que estávamos a julgar o maior caso, pelo menos de corrupção, investigado. Mas nós falávamos de R$ 170 milhões. Agora, a AP 470 (mensalão) teria que ser julgada em juizado de pequenas causas, pelo volume que está sendo revelado nesta demanda (da Lava-Jato) - disse o ministro.