Cerca de um bilhão de pessoas ainda não tem acesso a sanitários, nove em cada dez delas em áreas rurais, apontou relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ontem. O resultado representa um risco potencial para a propagação de doenças, como demonstrou a disseminação da febre hemorrágica do vírus ebola, destacou o informe.
Deste bilhão de pessoas sem acesso a sanitários, 825 milhões se concentram em apenas dez países, cinco deles na Ásia, sendo que a Índia aparece na liderança, com 597 milhões de pessoas, seguida de Indonésia, Paquistão, Nepal e China (dez milhões). Na África, a Nigéria soma 39 milhões nessa situação. Completam a lista Etiópia, Sudão, Níger e Moçambique (dez milhões).
SAÚDE AFETADA
O texto do relatório Glass 2014, realizado a cada dois anos pela OMS, e que este ano foi intitulado "Investir em água e saneamento, aumentar o acesso, reduzir as desigualdades" sublinha que o acesso à água potável e ao saneamento está relacionado a uma série de aspectos, como a redução da mortalidade infantil, a saúde materna, o combate de doenças infecciosas e o meio ambiente.
Na Nigéria tem havido apelos à população para que evite a prática de defecar ao ar livre pelo temor de que o vírus se propague pelos líquidos humanos, afirma a OMS.
Na Libéria, o país mais afetado pela epidemia do ebola, cerca da metade dos 4,2 milhões de habitantes não utilizam sanitários. Em Serra Leoa, outro país castigado pelo ebola, a proporção é estimada em 28% da população, acrescentou o informe.
AVANÇOS RECENTES
Embora tenha havido progressos no acesso à água potável e aos sanitários - nas duas últimas décadas, 2,3 bilhões de pessoas passaram a ter acesso a fontes de água melhoradas -, o documento destacou que "a falta de financiamento continua a limitar estes avanços".
Outro aspecto positivo apontado é que o número de mortes de crianças por causa de doenças diarreicas - relacionadas ao saneamento precário - caiu de 1,5 milhão em 1990 para 600 mil em 2012. No entanto, na África subsaariana, onde 25% da população defecam ao ar livre, estimativas indicam que uma criança morre a cada dois minutos e meio, após ingerir água não potável ou como consequência da falta de sanitários e de higiene.
O documento indica ainda que cerca de 750 milhões de pessoas não têm acesso a água potável de forma sustentada, e, para 1,8 bilhão, as fontes usadas são contaminadas com sedimentos.
- É tempo de agir. Nós não sabemos ainda qual será a agenda para o desenvolvimento sustentável após 2015, mas nós sabemos que a água e os sanitários devem ser prioridades claras, se quisermos criar um futuro que permitirá que todos se beneficiem de uma vida sadia, digna e próspera - destacou, durante a apresentação do informe, Michel Jarraud, encarregado de água na ONU e secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM).