O dono da empresa Sanko-Sider, Márcio Bonilho, afirmou, em depoimento à CPI mista da Petrobras, que não sabia que Alberto Youssef era doleiro e que já tinha sido envolvido em escândalos quando o contratou para intermediar negócios junto a empreiteiras, há cerca de cinco anos. Avisado posteriormente por um amigo sobre o "passado meio tenebroso" de Youssef, manteve os negócios porque eram "legais". Bonilho contou ter pago R$ 37 milhões a empresas de fachada indicadas pelo doleiro como "comissão" pela celebração de 12 contratos. O maior deles, com o consórcio CNCC, liderado pela Camargo Corrêa, que está à frente das obras de Abreu e Lima. Ele admitiu que fez pagamentos diretos a dois executivos da empreiteira.
Bonilho destacou que a empresa que dirige junto com dois sócios tem 18 anos de história e 200 funcionários. O foco é o fornecimento de tubos e conexões. O empresário afirmou que contratou Youssef como representante porque ele tinha bons contatos e poderia "elevar de patamar" a Sanko-Sider. Ele disse ainda ter fornecido produtos também a Odebrecht, OAS, UTC e Toyo Setal. Todas essas empresas foram alvo da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, e são acusadas de formar um cartel para dividir obras.
repasse a executivos
O empresário disse ter conhecido Youssef em uma feira do setor de Óleo e Gás e se encontrado com ele depois na recepção da construtora Engevix, outra que é alvo da Lava-Jato. Disse que "não procurou no Google" o nome de Youssef e que, por isso, não descobriu nada sobre ele. Contou que, depois de oito meses de parceria, um amigo lhe alertou, encaminhando uma reportagem do "Fantástico" sobre a atuação do doleiro. Bonilho disse ter consultado advogados, mas que foi tranquilizado por eles. Afirmou que seu acordo com Youssef era "verbal" e que os contratos de fachada com MO Consultoria e GFD Investimentos foram assinados apenas para dar garantia ao doleiro. Bonilho afirmou que, no decorrer do negócio, foi informado do repasse de parte dos recursos aos executivos da Camargo Corrêa Eduardo Leite e Paulo Augusto Santos Silva.
- Tudo que eu pagava a ele (Youssef) era comissão pela venda de produtos e serviços entregues e performados. Uma parcela da comissão dele, ele resolveu repassar para dois executivos da Camargo Corrêa - disse o dono da Sanko-Sider.
Reconheceu, porém, que, no final do negócio, os executivos reclamaram que não tinham recebido do doleiro. Bonilho, então, fez pagamentos diretos por meio de empresas das mulheres de Leite e Silva. Afirmou não saber se os recursos pagos a Youssef eram repassados também a agentes públicos. Bonilho contou ter recebido R$ 198 milhões do consórcio CNCC, que teve um lucro de 6% a 8%, e que pagou comissões de 10% a 15%. Mencionou algumas vezes repasses de R$ 37 milhões a Youssef depois de ter mencionado inicialmente R$ 33 milhões.
Bonilho disse ter contratado o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para que este prospectasse empresas estrangeiras para serem representadas pela Sanko. Pagou R$ 10 mil mensais por quatro meses como "ajuda de custo", e disse que a parceria foi rompida após esse período porque Costa não conseguiu viabilizar negócios.
Bonilho se recusou a assinar termo de depoimento como testemunha, no qual se comprometeria a falar a verdade. Depôs, então, na condição de investigado.
A Camargo Corrêa não quis comentar as declarações. As defesas dos executivos Leite e Silva já negaram que eles tenham usado as empresas das mulheres para receber comissões.
No RS, alvo da Lava-Jato perde contrato e demite mil
Grupo Inepar, dono da Iesa, apresentou plano de recuperação judicial
O grupo Inepar, dono da Iesa Óleo e Gás, empresa alvo da Operação Lava-Jato que ja teve seu presidente, Valdir Lima Carreiro, e seu diretor de operação, Otto Sparenberg, presos, apresentou à Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo seu plano de recuperação judicial.
A empresa teve um contrato de R$ 1,3 bilhão com a Petrobras rompido pela estatal após envolvimento da Iesa em denúncias de formação de cartel, lavagem de dinheiro e corrupção, feitas pela Justiça do Paraná. Em depoimento, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que a Iesa participou do esquema de corrupção que desviou R$ 10 bilhões da Petrobras.
O cancelamento do contrato aprofundou a crise financeira da empresa. Ela mantinha, em Charqueadas (RS), uma fábrica de módulos de plataformas do pré-sal, que foi desativada após rompimento do contrato pela Petrobras, levando à demissão de mil funcionários em setembro.
Ontem, o advogado da empresa, Mário de Oliveira Filho, disse que a operação da PF também dificulta o “andamento das atividades empresariais e comerciais” da empresa, já que na sétima etapa da Lava-Jato foram levados computadores, pen drives e agendas que seriam indispensáveis ao funcionamento do negócio. Por isso, ele solicitou ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, que os bens sejam devolvidos.