O setor siderúrgico brasileiro, que atravessa um momento delicado em relação à demanda e à competitividade, vê com bons olhos os nomes da nova equipe econômica do governo Dilma, que serão anunciados oficialmente hoje. Para o Instituto Aço Brasil (IABr), a escolha de nomes representativos criou uma expectativa positiva de diálogo com a indústria.

"[A escolha da nova equipe econômica] traz uma expectativa favorável de que se abra um diálogo efetivo para tratar aquilo que entendemos como prioridade absoluta, que é a recuperação da competitividade", disse ontem o presidente executivo do IABr, Marco Polo Lopes, em coletiva de imprensa na qual a entidade fez um balanço de 2014 e apresentou projeções para 2015.

Lopes citou os integrantes da equipe econômica que devem ser anunciados hoje: Joaquim Levy (ministro da Fazenda), Nelson Barbosa (ministro do Planejamento), Alexandre Tombini (que permanece na presidência do Banco Central) e Armando Monteiro (ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

"A indicação de crescimento do PIB não está trazendo nenhum alívio para o segmento do aço, nem este ano, nem o ano que vem. À medida que a presidente Dilma venha a confirmar a nova equipe econômica, pode ser que apareça uma luz no fim do túnel", disse o presidente do conselho diretor do Aço Brasil, Benjamin Baptista, que também preside a ArcelorMittal no Brasil.

O executivo avaliou, no entanto, que uma possível queda no volume de investimentos da Petrobras, como consequência das investigações da operação "Lava Jato" da Polícia Federal sobre um esquema de corrupção na estatal, pode refletir na demanda de aço do país. "A Petrobras tem vários investimentos. Grande parte desses investimentos é demandante de aço. Se esses investimentos pararem, certamente haverá um reflexo na demanda de aço", completou Baptista.

O Aço Brasil reviu para baixo a previsão de vendas internas e de consumo aparente de produtos siderúrgicos em 2014, na comparação com o de 2013. Com relação às vendas internas, a entidade trabalha agora com uma queda de 8,9%, totalizando 20,7 milhões de toneladas. A previsão anterior, feita em agosto, previa uma queda de 4,9%.

Sobre o consumo aparente (que considera as vendas internas mais a importação), o Aço Brasil projeta agora um declínio de 6,4% na comparação com 2013, totalizando 24,7 milhões de toneladas. A previsão anterior era de uma queda de 4,1%.

Para 2015, o instituto projeta um desempenho "suavemente melhor" do que neste ano e prevê um aumento de 4% das vendas internas (21,6 milhões de toneladas) e de 2% do consumo aparente (25,2 milhões de toneladas), na comparação com este ano. O IABR também reviu para cima as projeções de produção de aço bruto e exportação e importação de produtos siderúrgicos. O instituto prevê agora que a produção de aço crescerá 0,1% ante 2013, para 34,2 milhões de toneladas. A estimativa anterior era de uma queda de 2,5%. Já as exportações e importações devem fechar o ano com aumento de 20,6% (9,8 milhões de toneladas) e 9,7% (4 milhões de toneladas), respectivamente. A previsão anterior era de um aumento de 3,9% da exportação e de 1,8% da importação, em relação a 2013.

O aumento do volume de exportação se deve ao religamento do alto-forno da ArcelorMittal Tubarão e a suas vendas externas de placas.