Governadores eleitos pelo PSB, tendo à frente Rodrigo Rollemberg (DF), querem reaproximar-se do Palácio do Planalto e ajudar na recomposição política do governo Dilma Rousseff com a legenda - relação que ficou estremecida durante a campanha eleitoral, sobretudo depois da declaração de voto da sigla em Aécio Neves (PSDB) no segundo turno da disputa presidencial. Rollemberg, o pernambucano Paulo Câmara e o paraibano Ricardo Coutinho - que jamais rompeu com o PT e com Dilma - sabem que enfrentarão situações financeiras e administrativas difíceis ao longo dos próximos anos e que precisarão da ajuda da União para encarar as turbulências.

Rollemberg já deu sinais claros de distensionamento, ao votar, apesar da orientação partidária contrária, a favor da flexibilização nas regras de superávit primário para evitar que o governo incorresse em crime de responsabilidade fiscal. Segundo aliados de Rollemberg, ele atuou não como senador pessebista, mas como governador eleito de um estado com um déficit de R$ 3,8 bilhões e que tentará, como adiantou o Correio ontem, um adiantamento de R$ 1 bilhão relativo à cota do Fundo Constitucional de fevereiro para fechar a folha de pagamentos do funcionalismo.

No campo político, Rollemberg acredita que poderá usar sua liderança interna na legenda e o fato de ser governador de uma unidade da Federação importante - a capital da República - para reconstruir canais de diálogos dos socialistas com o Palácio do Planalto. Ricardo Coutinho é outro interlocutor interessado nesse movimento, já que declarou explicitamente apoio a Dilma Rousseff no segundo turno. E Paulo Câmara, que perdeu o anteparo político de Eduardo Campos, tende também a seguir o caminho.

Cautela

No Palácio do Planalto, os movimentos são vistos com cautela. Oficialmente, a declaração dada pelo governo é de que há uma relação republicana e que Dilma não discriminaria um governador eleito da oposição. Mas há empecilhos econômicos e dúvidas políticas. "Não há dinheiro. O Levy (Joaquim Levy, futuro ministro da Fazenda) promoverá um ajuste fiscal rigoroso e dificilmente haverá dinheiro para ajudar os estados", admitiu um interlocutor da presidente Dilma.

Os auxiliares presidenciais acham difícil esse reatamento de diálogo a curto e médio prazo. Apontam outros nomes fortes no partido que defendem um total afastamento do governo federal. Nesse grupo, estariam o vice-governador eleito de São Paulo, Márcio França - que poderá governar o estado em 2018 caso o tucano Geraldo Alckmin saia do cargo para uma disputa nas urnas - e os deputados Beto Albuquerque (PSB-RS) e Júlio Delgado (MG).

Vice-presidente do PSB, o deputado Beto Albuquerque (RS) entende a situação de Rollemberg. "Ele herdou um estado falido e precisa reconstruir laços com o governo federal. Espero que o Planalto e a presidente Dilma tenham grandeza para agir assim", declarou Beto. Ele disse, contudo, que a atuação do PSB e das bancadas na Câmara e do Senado será de independência ao governo federal.

Maluf deixa de ser ficha-suja

Por 4 votos a 3, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgaram procedente um embargo do deputado federal e ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf (PP-SP) contra decisão da própria corte que o manteve inelegível. Em setembro, a maioria dos ministros entendeu que uma condenação sofrida pelo parlamentar, na Justiça paulista, devido ao superfaturamento de um túnel, impedia a presença dele na disputa pela reeleição. Mas ontem a composição do tribunal mudou e o placar se inverteu. Maluf recebeu mais de 250 mil votos. A aprovação da candidatura provocará mudanças na bancada eleita por São Paulo. A recontagem ainda será feita pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.