O Brasil assumiu ontem a presidência do Mercosul para os próximos seis meses, seguindo o revezamento por ordem alfabética iniciado pela Argentina. Durante a reunião de cúpula dos presidentes do bloco, na cidade de Paraná, na província argentina de Entre Rios, a presidente argentina, Cristina Kirchner, passou o próximo mandato para a colega Dilma Rousseff, que abriu o seu discurso com a frase do presidente do Uruguai, José Mujica, a quem homenageou: "Ou ficamos juntos ou seremos vencidos".

Ela prometeu priorizar em seu mandato a cooperação das economias da região, com foco nos investimentos nessa direção. "O desenvolvimento compartilhado será ampliado", disse. "Vamos reforçar as nossas relações aduaneiras, nossas ações na área de infraestrutura, ampliar o que chamamos de desenvolvimento compartilhado, aumentando a integração produtiva entre as nossas diferentes economias", prometeu.

Dilma ressaltou ainda a trajetória comum do bloco de "crescimento com inclusão social, distribuição de renda e justiça social". Numa fala que durou cerca de 20 minutos, a presidente defendeu que o bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela acelere os acordos econômicos com os países que compõem a Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, Peru e México) e o Equador.

Um dos documentos avaliados pelos chefes de Estado do Mercosul tratava do apoio à Argentina no caso do grupo de credores norte-americanos, chamado de abutres, que venceu a batalha na Justiça de Nova York para receber a parte integral da dívida soberana. O grupo, que ficou de fora das reestruturações da dívida externa argentina, em 2005 e em 2010, cobra pagamento de US$ 1,5 bilhão.

Outro se refere ao apoio do Mercosul também à reeleição do brasileiro José Graziano da Silva na presidência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O mandato dele começou em janeiro de 2012 e deve terminar em julho de 2015.