A Petrobras e seus principais executivos enfrentam desde ontem uma ação coletiva em um tribunal federal de Nova York por conta do suposto esquema de corrupção desvendado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. A ação, iniciada pelo escritório de advocacia Wolf Popper LLP, alega que a companhia “fez declarações falsas e enganosas, por desvirtuar os fatos e não divulgar a cultura de corrupção que consistia em um esquema multibilionário de lavagem de dinheiro e suborno instalado na empresa desde 2006”.
Os advogados afirmam, no documento apresentado à Justiça, que o superfaturamento de contratos inflou enganosamente o valor dos ativos da estatal, prejudicando os acionistas. A ação foi movida em nome de investidores que compraram ações da empresa em Nova York entre 20 de maio de 2010 e 21 de novembro deste ano. 
O procedimento, que depende de validação de um juiz para prosseguir em um tribunal civil, pretende levar a questão a júri e obter reparação de danos ainda não especificados. Investidores interessados em se associar à ação têm até 6 de fevereiro para apresentar uma moção ao tribunal, informou um comunicado do Wolf Popper.
Durante o período abrangido pela ação judicial, o valor de mercado da Petrobras caiu de cerca de US$ 150 bilhões para algo em torno de US$ 60 bilhões, apesar de a empresa ter vendido cerca de US$ 70 bilhões em novas ações em setembro de 2010, no que foi até então a maior oferta mundial de títulos da história.
A Petrobras divulgou nota informando que não foi notificada sobre a ação. A empresa já é alvo de uma investigação da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão que fiscaliza o mercado de ações dos Estados Unidos.


Trecho

Da ação movida pelo escritório Wolf Popper LLP na Justiça de Nova York contra a estatal:

“A Petrobras fez declarações falsas e enganosas, por desvirtuar os fatos e não divulgar a cultura de corrupção que consistia em um esquema multibilionário de lavagem de dinheiro e suborno instalado na empresa desde 2006”.