A partir de janeiro de 2016, os carros brasileiros serão produzidos com placas diferentes. Em vez de três letras e quatro números, elas passarão a ter quatro letras e três números. Além do Brasil, a mudança ocorrerá nos países do Mercosul: Uruguai, Venezuela, Paraguai e Argentina. O objetivo, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), é dificultar a falsificação e, no futuro, ter um banco de dados integrado entre as nações.

As placas atuais não terão de ser trocadas, e a mudança se dará de forma gradual. O modelo será aplicado aos veículos produzidos a partir de 1º de janeiro de 2016. Também receberão novas identificações os carros que forem transferidos de municípios ou que mudarem de categoria (no caso de um automóvel que seja adaptado para o serviço de táxi, por exemplo). Os elementos visam coibir as possíveis clonagens de veículos, afirma Rone Evaldo Barbosa, coordenador-geral de Informatização e Estatística do Denatran.

O tamanho das placas é o mesmo das atuais, mas o fundo será branco, com a margem azul. No meio, haverá a indicação do país e do Mercosul, em estampas com relevo, com tecnologia semelhante à usada nas notas de R$ 50 e R$ 100 para evitar falsificação. As placas terão ainda linhas onduladas, marcas dágua e códigos bidimensionais que servem para controlar a produção. Para facilitar a identificação, o brasão do município e a bandeira do estado serão aplicados por meio de calor. A proposta foi feita pelo Grupo do Mercado Comum, com a intenção de providenciar integração entre as nações. Essa ação permitirá um controle mais rigoroso do transporte de cargas, de passageiros e também de carros particulares entre esses países, diz Barbosa.

Preço
De acordo com o Denatran, as mudanças não devem interferir de forma expressiva no preço final. Mas, é possível que o valor do emplacamento aumente, uma vez que as placas passarão a ser feitas apenas por empresas credenciadas pelo órgão hoje, a produção é livre e vendida a pequenas e médias companhias credenciadas nos departamentos estaduais de trânsito. Para o consultor da Federação Nacional dos Detrans Ricardo Alves da Silva, a mudança trará vantagens ao aumentar as possibilidades de combinações de placas e combater a falsificação. Silva questiona, entretanto, se, até 2016, o Brasil conseguirá adaptar o sistema para identificar as novas placas. Hoje, o sistema só reconhece placas com três letras e quatro números. Isso terá de ser alterado. Se o processo (de adaptação) for lento, vai trazer problemas à fiscalização, avalia.

Outro ponto observado por Silva é o de que a produção das placas pode ser encarecida. São muitos elementos de segurança. E como é o Denatran que vai credenciar as empresas, pode haver interesses por trás que impliquem em fechar contratos por um preço maior. Apesar das ressalvas, o consultor diz que, logo que o sistema for implementado, o Brasil será capaz de multar carros que vêm de países como Argentina e Chile e controlá-los. Segundo ele, isso hoje não é possível justamente porque a quantidade de letras e números das placas é diferente.