Técnicos do TCU e da Petrobras depõem na CPI mista da Petrobras em sessão esvaziada pela votação da LDO O secretário de fiscalização de obras da área de energia do Tribunal de Contas da União (TCU), Rafael Jardim Cavalcante, disse que, segundo dados preliminares, mais 50% dos contratos de compras da Petrobras foram fechados sem licitação entre 2011 e 2014. Essa constatação não inclui contratos de obras, mas sim de aquisição de bens, como computadores, esclareceu. Cavalcante participou de audiência na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional para investigar suposto esquema de corrupção envolvendo a estatal. O evento tinha o objetivo de debater o regime de contratação da empresa. "Não temos ainda números definitivos, mas nos últimos quatro anos, eventualmente, em bens a Petrobras talvez tenha contratado entre R$ 60 e R$ 70 bilhões", informou o representante do TCU. Desse total, "seguramente mais da metade" foi contratado diretamente sem licitação, completou. "Para avaliar, antes do certo e errado, qual é o risco em termos de boa governança corporativo dessa prática e dessa previsão legal?", questionou. A sessão da CPI foi esvaziada, principalmente, por causa da tentativa de nova votação do projeto que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014. Mesmo com a presença de representantes técnicos da Petrobras, da Controladoria-Geral da União (CGU) e TCU, nem mesmo o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB) compareceu à reunião por problemas de saúde. A audiência foi aberta por um substituto, o senador Gim Argello (PTB-DF). Mas logo ele deixou a sala. O relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), sofreu uma lesão nesta semana e também não participou da audiência. No lugar dele, foi o deputado Afonso Florence (PT-BA). Por um momento, apenas Florence, que é da base do governo, estava na reunião da CPI. Ele questionou aos representantes da Petrobras qual seria a melhor maneira de contratação para a empresa. Em resposta, Adriano Marques, gerente da área jurídica de tecnologia e materiais da Petrobras, disse que o ideal seria manter a segurança jurídica e a busca de "melhores resultados para a companhia em termos de propostas mais vantajosas, e o regime atual atende a esse cenário". Pela manhã, parlamentares tentaram mais uma vez - sem sucesso - retomar os trabalhos da CPI exclusiva do Senado. Sem quórum, a reunião terminou sem decisões. Na pauta, estava prevista a análise de requerimentos que, por exemplo, pediam informações ao TCU, Polícia Federal e empresas supostamente envolvidas no esquema de corrupção. Não havia pedido de convocação para depoimentos. Tanto senadores da oposição como da base aliada ao governo não compareceram à reunião. Na semana passada, a sessão da CPI não foi aberta pelo mesmo motivo: falta de quórum. Vital, que também é presidente da Comissão exclusiva do Senado, negou que a CPI já terminou. "Para mim não [acabou] porque cumpro o meu dever de estar aqui semanalmente como vocês atestam", disse aos jornalistas que, em número, superaram os senadores presentes na sessão. "Não posso declinar do meu dever de marcar as sessões. Lamentavelmente as reuniões não são feitas pela ausência de quórum mínimo", afirmou o presidente da CPI.