Para Imbassahy, defesa de contas de campanha de Dilma foi 'comprometedora e parcial'

Júnia Gama e Evandro Éboli

O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), classificou ontem a conduta do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, que saíram em defesa das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff, como "comprometedora e parcial". O tucano disse que eles confundiram as atribuições do Estado com o papel partidário, e que estariam em campanha para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Os ministros, talvez pela ansiedade de se cacifarem para a vaga que está aberta no Supremo Tribunal Federal, queiram mostrar serviço e misturem as atribuições de Estado ao papel partidário. É até compreensível que ambos estejam também preocupados com a situação da presidente Dilma, que pode, lá na frente, enfrentar situações mais difíceis ainda, mas não está entre suas atribuições serem advogados do PT. Isso é inadmissível", afirmou Imbassahy, em nota.

Em resposta, Cardozo afirmou que a oposição tenta politizar as declarações que deu negando que a campanha de Dilma tenha recebido doação de recursos desviados do esquema de corrupção na Petrobras:

- Estão deturpando os fatos. E isso é um desserviço à democracia. É engraçado. No caso do cartel do metrô de São Paulo (no qual o PSDB está envolvido), eu disse que não iria prejulgar. E disse, em depoimento na Câmara, que tenho alguns nomes de parlamentares da oposição ali citados em alto apreço. Não deve ser igual? Posso falar da oposição, mas não posso falar do partido ao qual pertenço?! O importante é a imparcialidade dos fatos.

Imbassahy, por sua vez, acusou ainda Cardozo e Adams de atuarem como "despachantes do PT". A vaga aberta no Supremo com a aposentadoria de Joaquim Barbosa deverá ser preenchida em breve por Dilma, mas ainda não há nome definido.

"Se misturam Estado e partido agora, serão eles despachantes do PT no Supremo? Esse reiterado comportamento definitivamente retira a credibilidade necessária ao exercício das suas funções", arrematou o líder tucano.

Na quinta-feira, Cardozo e Adams saíram em defesa da prestação de contas da campanha petista depois que o executivo Augusto Ribeiro Mendonça Neto, que negociou acordo de delação premiada na Operação Lava-Jato, afirmou que parte da propina cobrada por Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, foi paga na forma de doação oficial ao PT. Para Imbassahy, quem deve prestar esclarecimentos é a direção do PT e o tesoureiro do partido, João Vaccari.