O escândalo de corrupção em que a Petrobras está envolvida "tem potencial para afetar sua qualidade de crédito", alertou ontem a Fitch. Para a agência de rating, o caso prejudica o perfil da dívida da empresa porque "torna mais lento o crescimento de sua produção, afeta seu acesso ao mercado de dívida corporativa e acarreta punições financeiras".

A nota da Petrobras na escala da Fitch é "BBB", dois graus acima de "especulativo". A perspectiva é estável. Contudo, sua manutenção demanda que a produção seja elevada de 2,78 milhões de barris de óleo equivalente por dia para 3,5 milhões até 2018.

A Fitch alertou para o impacto da queda do petróleo - se o Brent ficar por muito tempo cotado abaixo de US$ 65, "poderá pressionar a nota de crédito" - e para o risco cambial. "(...) As receitas são denominadas, em grande parte, em real, enquanto a maior parcela de sua dívida está em dólar", apontou. O recuo não chega a compensar a desvalorização - o real acumula perda 14% no ano - e a companhia precisa ajustar seus preços, defendeu a agência.

Ontem, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou estudo sobre propina que mostra que, em 41% dos 427 casos de suborno registrados nos últimos 15 anos, os gerentes tinham conhecimento da oferta de propina. Os presidentes-executivos estavam envolvidos em 12% dos casos, mostrou o levantamento da OCDE.