Depois de se debruçar sobre a situação da figura que é considerada peça-chave da Operação Lava-Jato, que fez uma longa delação premiada e que está preso com tornozeleira eletrônica há semanas, a Comissão de Ética Pública revolveu aplicar ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa "censura ética" - a máxima punição do órgão. O efeito da medida é, no entanto, reduzido. Ao ser "eticamente censurado", Costa, que prometeu devolver US$ 25,8 milhões que desviou da estatal, não pode assumir cargos públicos e deixa de ter reputação ilibada.

A Comissão de Ética também debateu as acusações feitas pela ex-gerente da Petrobras Venina Velosa, que disse que a atual presidente da estatal, Graça Foster, foi avisada por ela sobre irregularidades praticadas na empresa. Sobre Venina e Graça, não foi aplicada nenhuma "censura". Os conselheiros querem, primeiro, ter acesso ao depoimento que Venina deve fazer ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo caso.

- Vamos aguardar e pedir ao juiz que nos mande cópias das declarações dela - disse o presidente da comissão, Américo Lacombe: - Com o depoimento nas mãos, vamos ver o que fazer.

Perguntado se a comissão pode recomendar a saída de Graça, Lacombe foi objetivo:

- Pode teoricamente. Vai depender não só do depoimento da Venina. Não sei se ela tem provas do que disse.

Lacombe não quis fazer juízo de valor sobre a atuação de Graça no combate às irregularidades na petroleira:

- É uma notícia com indícios sérios. Agora, quero saber se ela (Venina) tem documentação que prova.

A comissão resolveu, por fim, pedir mais informações sobre o ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró. No domingo, o Ministério Público Federal o denunciou, junto com outros três por ter recebido US$ 15 milhões em propina.

Renato Duque, ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras, não foi localizado pelos membros da Comissão de Ética e, por isso, seu processo no órgão não andou. A comissão volta a se reunir em janeiro.