Ed Ferreira/Estadão

Mantega e Levy discutiram nomes de nova equipe

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta quinta-feira, 4, que a crise financeira mundial está chegando ao fim e ressaltou que praticamente não houve impactos negativos para a população de média e baixa renda no País.

 

“Creio que estamos chegando perto do fim dessa crise mundial”, disse o ministro, acrescentando que o processo será mais rápido quando países europeus “deixarem o imobilismo” e tomarem medidas eficazes para gerar empregos necessários. “Com o mundo melhorando nos próximos anos, o Brasil tem plena condição de engatar novo ciclo de crescimento”, afirmou.

 

Defesa. O ministro também defendeu mais uma vez a política econômica dos últimos anos, enquanto esteve à frente da pasta. “Meu grande orgulho é ter liderado a economia brasileira na mais grave crise em 80 anos”, afirmou, acrescentando que entregará a economia mais sólida do que recebeu.

 

“É um grande orgulho para nós dizer que para a população brasileira de média e baixa renda praticamente não houve crise”, disse Mantega.

 

“Quando a crise financeira de 2008 começou, estávamos preparados para enfrentá-la”, disse. O ministro argumentou que situação das contas públicas era sólida e o mercado interno era vigoroso. “Pela primeira vez em muitas décadas, o Brasil não tombou diante de crise internacional”, disse.

 

“Enquanto países cortaram investimentos e geraram desemprego, fizemos corajosa política anticíclica”, acrescentou Mantega, o ministro que ficou mais tempo como titular do Ministério da Fazenda.

 

O ministro comparou mais uma vez a situação do mercado de trabalho brasileiro com a de outros países e elogiou a situação do emprego no País.

 

“Nesse longo período no governo, tenho certeza que fomos bem-sucedidos na missão de desenvolver nossa economia”, disse o ministro.

 

Saldo. No início do discurso, o ministro Guido Mantega adiantou que faria uma avaliação do que foi o período dele no governo petista. “Nesses anos, o Brasil avançou muito em todas as áreas, deixando de ser uma economia frágil para se tornar a sétima economia do mundo.”

 

O ministro afirmou ainda que, apesar dos anos de crise mundial, há um “saldo positivo de transformação”.

 

“Nos anos 2000, entramos no governo com economia abalada. As reservas mal davam para pagar dois meses de importação. Naquela época, o Brasil estava de pires na mão, pedindo empréstimos e as bênçãos do FMI (Fundo Monetário Internacional)”. Disse.

 

Mantega afirmou que, hoje, as reservas internacionais do Brasil são maiores do que a dívida externa.

 

Fernando Henrique. O ministro fez várias comparações do atual governo com o mandato de Fernando Henrique Cardoso, anterior ao período petista na Presidência do País.

 

“Naquela época, faltava emprego e os jovens tinham poucas expectativas de trabalho. Arregaçamos as mangas e implementamos projeto que acelerou crescimento, gerou empregos com carteira assinada e criou condições mais humanas”, afirmou.

 

O ministro Guido Mantega destacou as transformações sociais e disse, mais uma vez, que a renda do brasileiro subiu nos últimos anos e a pobreza caiu.

 

Em encontro, Levy e Mantega discutem transição

VICTOR MARTINS, BERNARDO CARAM, ADRIANA FERNANDES

 

Ministro da Fazenda recebe o futuro sucessor durante 40 minutos; até a posse, Joaquim Levy deve continuar despachando no Palácio do Planalto

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, esteve reunido nesta quinta-feira, 4, com seu sucessor, Joaquim Levy. O encontro de cerca de 40 minutos ocorreu a portas fechadas. Segundo fontes, eles discutiram trâmites e nomes de técnicos que devem participar da transição, além de dados econômicos.

 

Na saída, Levy disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que a reunião foi “sobre procedimentos e um pouco de economia global”.

 

Segundo interlocutores, eles discutiram trâmites da transição e como “as coisas estão funcionando no Ministério”. Essa fonte afirmou ainda que é normal que a posse ocorra até o fim do mês.

 

“É um procedimento normal que a posse ocorra até o fim do mês, mas a decisão é da presidente”, afirmou. Antes de ser recebido por Mantega, Levy se reuniu com o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli.

 

Os dois não deixaram um próximo encontro agendado e o entendimento de ambos é de que, a princípio, novas reuniões não devem ser necessárias. Até a posse, Levy deve continuar despachando no Palácio do Planalto e se reunindo esporadicamente com técnicos da Fazenda.

 

Brecha. O encontro estava programado para as 11 horas, mas acabou ocorrendo apenas às 18 horas. Chegou a se cogitar um adiamento para a sexta-feira por incompatibilidade de agendas, mas uma brecha foi encontrada no fim do dia.

 

O futuro ministro evitou sair pela portaria onde estava concentrada a maioria dos jornalistas, local tradicionalmente usado pelo ministro e por pessoas que o visitam no gabinete. Levy deixou o Ministério da Fazenda por volta das 18h45.

 

Apesar de Levy já estar indicado para a Fazenda, nomes que comporão o restante da equipe ainda não estão definidos. Na Esplanada dos Ministérios especula-se que o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, pode se tornar secretário do Tesouro Nacional ou secretário de Política Econômica.

 

Outros nomes também são cogitados. Eduarda La Rocque, ex-secretária municipal de Fazenda no Rio de Janeiro, também está entre os cotados para o Tesouro.