Mercadante: "O papel da Casa Civil é buscar o entendimento, e quando este não é possível a presidente arbitra" "Jamais entrei no gabinete da presidente Dilma Rousseff sem ser convidado. Ela jamais aceitaria isso", explicou o ministro chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ao comentar trecho da coluna desta jornalista, na edição impressa do Valor de sexta-feira. A coluna relatou o desconforto de algumas autoridades com a presença de Mercadante em todas as conversas ou audiências da presidente. Os interlocutores contaram que desenvolveram uma técnica: falar com Dilma tudo o que for importante antes que o ministro da Casa Civil entre na sala e comece a opinar. Mercadante atribuiu eventuais queixas à incompreensão com a gênese da sua função. "O papel da Casa Civil é buscar a convergência, o entendimento e, quando este não é possível a presidente arbitra". Para desempenhar essa tarefa ele deve estar informado das propostas e chamar todas as partes envolvidas. Na sexta feira, contou o ministro, houve um grande entendimento para chegar à decisão de aumentar a TJLP e rever as bases do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para 2015. Para chegar à decisão final, sancionada pelo Conselho Monetário Nacional, foi preciso reunir na mesma sala os representantes dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento da Indústria, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). O aumento da taxa de juros de longo prazo praticada pelo BNDES, de 5% para 5,5% ao ano a partir de janeiro e até março de 2015, e as novas condições do PSI são as duas primeiras medidas de redução gradual dos subsídios para reconstruir as condições de produção de superávit primário das contas públicas. As taxas de juros do PSI, que variaram entre 4% e 8% ao ano até este exercício, serão de 6,5% a 11% em 2015. Essas são medidas que tiveram o patrocínio do ministro indicado da Fazenda, Joaquim Levy, e o apoio do ministros indicado do Planejamento, Nelson Barbosa, e de Mercadante. "Eu expresso o problema", disse o chefe da Casa Civil, "e busco a convergência", completou. "Agora, ai daquele que entrar no gabinete da presidente sem ser convidado! Você conhece a Dilma?". Ou seja, para as autoridades do governo e lideranças do Congresso que se incomodam com a presença do ministro em praticamente todas as conversas de Dilma, fica a informação: Mercadante só está na sala porque foi chamado por ela.