Ao discursar na solenidade de posse da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) na presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), a presidente Dilma Rousseff exaltou a relevância do agronegócio na economia e anunciou que pretende fortalecer a parceria com a aliada pelos próximos quatro anos. Apesar dos protestos de movimentos de trabalhadores do campo e de ambientalistas, Kátia será confirmada, até quinta-feira, como nova ministra da Agricultura no segundo mandato da presidente Dilma.

"Hoje, Kátia, nossa parceria está apenas começando, estaremos juntas pelos próximos quatro anos, mais próximas do que nunca", discursou a presidente. "As reivindicações do agronegócio serão sempre uma baliza para políticas de apoio ao setor", reforçou.

Ainda no conjunto de afagos, Dilma dirigiu-se a Kátia como "amiga" e observou que ela se distinguiu na direção da CNA - a peemedebista assumiu o terceiro mandato consecutivo na instituição, que preside desde 2008. Dilma acrescentou que a senadora "honra e orgulha" as brasileiras por sua "capacidade de trabalho", pelas suas "convicções firmes" e como "lutadora incansável" pela agricultura e pecuária no país.

Sob críticas pela indicação de Kátia Abreu ao comando da Agricultura, Dilma adotou um tom conciliador ao afirmar que todas as forças de trabalho na terra, dos pequenos aos grandes produtores, inclusive pesquisadores e defensores do meio ambiente, são responsáveis pela "segurança alimentar" no Brasil e outros países.

"As bandeiras da produtividade e preservação estão nas mãos de todos", discursou. "Por isso, eu digo que nós temos um imenso conjunto aqui representado, dos empresários do agronegócio aos trabalhadores rurais, dos ambientalistas e de todos eles, sem considerar diferenças políticas ou ideológicas", sustentou.

A posse de Kátia foi tumultuada por protestos de representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), que ocuparam a sede da CNA pela manhã. Cerca de 70 manifestantes invadiram as dependências da instituição, trazendo cartazes com dizeres como "Dilma, nós te elegemos, não merecemos Kátia Abreu" e "Fora Kátia, assassina de índios".

À tarde, antes do evento na CNA, Dilma reuniu-se com lideranças do MST e ouviu críticas à indicação de Kátia para a pasta da Agricultura. "Colocamos agora para a presidente que a nomeação da Kátia Abreu é uma simbologia muito ruim", disse Alexandre Conceição, coordenador nacional do MST. "A Kátia representa o agronegócio, o atraso, o trabalho escravo, e, principalmente no seu Estado [Tocantins], a grilagem de terra", completou o militante.

Em seu discurso de posse, Kátia Abreu criticou os manifestantes que invadiram a sede da CNA. "Temos que superar paradigmas de grupos da esquerda e da direita que desservem ao país, como os de hoje, que de forma desrespeitosa, invadiram este prédio", afirmou.

Em seu pronunciamento, Kátia exaltou a participação do agronegócio no PIB brasileiro e demonstrou afinidade com o governo de Dilma, de quem se aproximou nos últimos dois anos. Kátia elogiou programas da petista como o Pronatec Rural, o Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que financia técnicas agrícolas que preservam o meio ambiente e o Plano Safra. Ela também defendeu o programa de concessões na área de infraestrutura promovido pelo governo e disse estar "ansiosa" por mais investimentos em rodovias e hidrovias em 2015.