A economia dos Estados Unidos cresceu no ritmo mais rápido em 11 anos no terceiro trimestre, com alta projetada em 5%, o que fez o dólar se valorizar em quase todo o mundo. No Brasil, a divisa norte-americana subiu 1,64% e voltou a bater em R$ 2,70. A estimativa para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) foi revista ontem pelo Departamento do Comércio dos EUA, que havia divulgado estimativa preliminar de 3,9% no mês passado. 

O aumento do consumo das famílias e dos investimentos das empresas impulsionou o desempenho da maior economia do planeta e pode elevar a popularidade do presidente Barack Obama, atualmente em baixa.

Entre abril junho, a economia dos EUA já havia crescido 4,6%. Com a estimativa de 5% no terceiro trimestre, o país registrou os dois períodos mais fortes de expansão econômica desde 2003. Para o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, os dados norte-americanos foram decisivos para o comportamento dos mercados em todo o mundo. 

“Os gastos de consumidores e os investimentos estão com desempenho muito bom. A economia acelerou de vez, num ritmo muito superior ao que se esperava”, assinalou Oliveira. Isso pode antecipar a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central do país, de elevar os juros para evitar um ímpeto excessivo da atividade e a volta da inflação”, afirmou Oliveira. Segundo ele, a aposta do mercado era de que o aumento dos juros nos EUA ocorresse entre o segundo e o terceiro trimestre de 2015. Com os dados mais recentes, não dá para descartar que a mudança venha antes.

Os mercados emergentes tenderão a receber menos capital quando os juros norte-americanos, que estão em patamares de 0% a 0,25% desde 2008, subirem. “Além de bons, os números foram anunciados da melhor forma possível: com o maior ritmo em 11 anos”, ressaltou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. A divisa dos EUA, que já tinha batido nos R$ 2,74 na quarta-feira passada, havia recuado para a casa dosR$ 2,65. Ontem, voltou a ultrapassar a barreira dos R$ 2,70, fechando a R$ 2,705.