Mais uma vez, os brasilienses ficaram reféns do caos provocado por trabalhadores do Governo do Distrito Federal (GDF). Funcionários terceirizados, além de professores, auxiliares da educação e empregados de creches, fecharam o trânsito na zona central da cidade. As quatro categorias protestaram em frente ao Palácio do Buriti para reivindicar o repasse de benefícios. Mesmo após uma reunião, os terceirizados não se sentiram contemplados com a resposta do governo e interditaram os dois sentidos das vias N1 e S1 por mais de duas horas. Hoje, dão seguimento à greve e pretendem se manifestar nos locais de trabalho e, em seguida, participar de uma audiência pública de conciliação no Ministério Público do Trabalho (MPT). 

Os servidores do GDF se sentem lesados. Quem tem filho dentro de casa não pode esperar até amanhã. Ele (governo) promete, mas não cumpre, reclamou a auxiliar de serviços gerais Carleide Alves, 38 anos. Ela integrou o movimento organizado pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação, Trabalho Temporário, Prestação de Serviços e Serviços Terceirizáveis (Sindiserviços) que reivindicou o pagamento do vencimento de novembro, no caso de duas empresas, do tíquete-alimentação e do 13º salário. 

O grupo bloqueou as 12 faixas do Eixo Monumental, nos dois sentidos, além de algumas vias de acesso. Durante a manifestação, uma pessoa passou mal, desmaiou e precisou ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Não sou contrário à manifestação deles, mas não é justo, também pago muitos impostos e cargas tributárias, disse o advogado Sérgio Paulo Lopes Fernandes, 51 anos. Ele seguia de carro até o Setor de Rádio e TV Sul, quando foi surpreendido pelo ato. 

Educação 
Os professores e auxiliares de educação, mobilizados pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) e pelo Sindicato dos Auxiliares Administração Escolar (SAE), conseguiram, no fim da manhã, uma posição do GDF após reunião com a Secretaria de Administração Pública. Viemos em busca de providências para o cumprimento da lei do pagamento do auxílio natalício que deveria ter ocorrido na última sexta-feira. O compromisso que o secretário Wilmar Lacerda fez hoje (ontem), foi de que no máximo amanhã os créditos seriam feitos, contou a diretora do Sinpro Rosilene Corrêia. Caso não aconteça, a categoria tomará outras medidas a serem discutidas em assembleia. 

No fim do dia, funcionários de creches fecharam, mais uma vez, a via N1 do Eixo Monumental por cerca de 40 minutos. Eles reivindicavam a remuneração dos salários atrasados desde setembro, o pagamento do 13º salário e o repasse de férias. Além disso, a categoria pedia a transferência da última parcela da verba de convênio que o GDF mantém com as instituições. O dinheiro é usado para a alimentação das crianças e a subsistência das creches. 

De acordo com o secretário de Administração Pública, Wilmar Lacerda, na última sexta-feira, ficou acertado o depósito do dinheiro para parte dos funcionários das instituições, mas, a transferência depende de dois dias úteis. Em relação a duas creches que protestaram no Eixo Monumental, foi negociado o depósito do dinheiro amanhã (hoje) à noite. O pagamento do 13º salário também foi resolvido, garantiu. 

Os benefícios dos professores e dos terceirizados seriam disponibilizados ontem à noite. Em relação às secretarias que não tiverem problemas orçamentários, o dinheiro será depositado hoje (ontem) à noite, mas alguns órgãos não têm orçamento. Os que tiverem problemas de remanejamento, a situação será resolvida de hoje (ontem) para amanhã (hoje), ressaltou Wilmar. 


 

Inativos


Os servidores aposentados do GDF questionam o não pagamento do salário de dezembro, feito, normalmente, até o dia 22 de cada mês. No entanto, a Secretaria de Comunicação do GDF informou que, de acordo com uma portaria conjunta publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira o débito pode ser feito até dia 30.