O ministro da Fazenda Joaquim Levy encerrou ontem sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Ao participar do painel "Panorama Econômico Global", o mais importante do evento, ele afirmou que o Brasil decidiu mudar e priorizar o investimento como motor do crescimento. Para isso, explicou ele, é preciso acabar com incertezas e conquistar confiança. Levy também ressaltou que o país fez avanços importantes na geração de emprego, renda e inclusão social, mas que esse processo sofreu uma desaceleração nos últimos dois anos.

- Nós decidimos mudar. Por algum tempo, nosso crescimento foi baseado no consumo, mas estamos mudando um pouco a demanda para o lado do investimento. Para isso, nós precisamos de confiança e menos incerteza. Estamos adotando algumas medidas para garantir que a confiança na economia vai crescer - disse ele.

Levy afirmou que é preciso melhorar o ambiente de negócios e tornar mais fácil o pagamento de impostos no país, mas admitiu que o caminho será longo:

- Tem muito a ser feito nessa área.

No painel - do qual também participaram o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, o presidente do Banco Central do Japão, Haruhiko Kuroda, o vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Min Zhu, e o diretor do Banco Central Europeu Benôit Coeuré, Joaquim Levy enumerou algumas das medidas de ajuste fiscal que já foram adotadas pelo Brasil, como o aumento da meta de superávit fiscal primário para 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, e lembrou que, em 2016, ela será ainda maior. Ele também citou o realinhamento dos preços relativos e explicou:

- Isso caminha na direção de reformas estruturais. É importante para decisões de investimentos.

Levy também afirmou que a queda dos preços do petróleo não devem afetar fortemente o Brasil. O país é um importador líquido do produto. O Banco Central estima que, se os preços do barril ficarem em torno de US$ 50 ao longo de 2015, a balança comercial terá uma economia de US$ 12 bilhões.

- Não vai nos machucar tanto - afirmou o ministro.