Título: Salário mínimo já vale US$ 350
Autor: Batista, Vera
Fonte: Correio Braziliense, 02/07/2011, Economia, p. 14
Dólar cai pelo quinto dia consecutivo e fecha cotado a R$ 1,558, menor nível em 12 anos
A cotação do dólar comercial caiu pelo quinto dia consecutivo. Apesar da atuação do Banco Central, que comprou, duas vezes, dólar no mercado à vista, a moeda americana baixou 0,26%, para R$ 1,558, a menor cotação em mais de 12 anos ¿ desde 18 janeiro de 1999, quando houve a maxidesvalorização do real no início do segundo mandato do governo Fernando Henrique Cardoso. O salário mínimo brasileiro vale agora US$ 350, mais de três vezes o valor de US$ 100 que FHC prometia alcançar, em virtude do passado do Brasil de inflação alta, até a edição do Plano Real, em 1994. No início de seu governo, em 1995, o mínimo chegou a corresponder a US$ 109,41 dólares. Já no final da sua gestão, em 2002, estava reduzido a US$ 84,14.
Segundo analistas, o ambiente econômico internacional, de maior apetite por risco, e os altos juros praticados no Brasil, de 12,25% ao ano, tiraram os investidores da bolsa de valores e os levaram ao dólar. Com essa derrocada do dinheiro mais disputado no mercado, o poder de compra do brasileiro no exterior tem aumentado significativamente.
Contribuiu também para a queda no preço do dólar a nova fórmula de cálculo da Ptax (média das cotações diárias, usada como referência para o mercado futuro), que começou a ser aplicada ontem. Segundo determinação do Banco Central, a Ptax passou a ser calculada com base na média aritmética de quatro consultas aos principais bancos, para evitar a manipulação dos agentes de mercado na formação da taxa. Essa mudança foi anunciada há meses e já era esperada. No entanto, qualquer novidade acende o sinal de alerta no mercado. Por isso, ontem, o volume de negócios acabou sendo abaixo do esperado, o que favoreceu as bruscas oscilações observadas ao longo do pregão.
Já a Bolsa de Valores de São Paulo teve o seu quinto dia de valorização. O Ibovespa, índice que mede a variação das ações mais negociadas, encerrou o pregão em alta de 1,59%, nos 63.394 pontos, seguindo o otimismo dos principais mercados, pela redução das preocupações com o calote da dívida na Grécia e a aprovação de novas medidas de austeridade pelo parlamento daquele país. Puxou também o índice para cima o bom desempenho das ações da Vale. E os investidores se animaram com o nível de atividade industrial, nos Estados Unidos, que chegou aos 55,3 pontos, acima das expectativas do mercado. Os dados foram interpretados como uma sinalização de provável recuperação da economia americana, apesar de os gastos do país com construção terem caído 0,6% em maio, e a confiança do consumidor ter sido levemente menor do que a esperada.