Na sua primeira reunião do ano, na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve elevar os juros básicos da economia em 0,50 ponto percentual, mesmo patamar do último encontro, segundo previsão da maioria dos especialistas. Com a alta, a Selic passaria de 11,75% para 12,25% ao ano, o nível mais alto desde agosto de 2011. Essas são as projeções de instituições como Bradesco, Itaú-Unibanco, MB Associados, BES Investimento do Brasil e da consultoria britânica Capital Economics.

“A inflação está em um patamar elevado e, por pouco, não estourou o teto da meta (de 6,5%) em 2014 (fechou em 6,41%). Estamos prevendo uma série de reajustes de energia neste ano, que devem pressionar ainda mais os preços. O BC deve continuar subindo os juros para conter a carestia”, comentou o economista Caio Megale, do Itaú-Unibanco. Para ele, além da alta de 0,50 ponto na Selic nesta semana, o BC deverá promover mais uma elevação de 0,25 ponto em março, o que levaria a taxa para 12,50%. “A impressão é de que o governo vai optar por fazer o ajuste nas tarifas administradas da forma mais rápida possível, apesar de isso significar uma inflação acima do teto em 2015”, emendou.

Uma série de indicadores ruins, como a produção industrial, que caiu 0,1% em novembro, e o IBC-Br do BC, que é uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e apontou alta de apenas 0,04% no penúltimo mês de 2014, fez com que os especialistas começassem a rever suas projeções. O Itaú cortou a estimativa para o PIB em 2015, de 0,8% para 0,2%, e elevou a previsão de inflação de 6,5% para 6,9%.

O economista Octavio de Barros, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, estima que a expansão do PIB será de 0,5% este ano, mas com viés de baixa. Barros ainda não fez novas projeções porque prefere aguardar mais dados. “Revisões só depois de março, com as incorporações metodológicas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no cálculo do PIB”, disse. O Bradesco também projeta a taxa Selic em 12,50% no fim de 2015. No ano que vem, o banco prevê que a taxa voltará a cair, fechando em 11,50% em dezembro. Flavio Serrano, economista sênior do BESI, que aposta em alta de 0,5 ponto percentual nesta semana, também espera mais uma elevação de 0,25 ponto em março, com a Selic permanecendo em 12,50% ao ano até dezembro.

Apesar de também prever alta de 0,50 ponto na Selic esta semana, Neil Shearing, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, faz ressalvas. Ele considera que há uma leve possibilidade de o aumento ficar em 0,25 ponto se o BC considerar que a forte queda dos preços do petróleo poderá ajudar a frear a inflação neste ano. “Um elemento-chave no segundo mandato de Dilma é a retomada da ortodoxia econômica. Com isso, o BC continuará focado em combater a inflação em vez de dar apoio para a economia se recuperar”, afirmou.

Na contramão

Contrariando a maioria do mercado, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, aposta em alta de apenas 0,25 ponto percentual esta semana. Para ele, três fatores deverao pesar na decisão. O primeiro é a desaceleração da economia, que está afetando os preços livres e pressionando menos a inflação. “O crescimento do PIB em 2014 está próximo de zero e o de 2015 não deve ser muito diferente. Um aumento nos juros só piorará ainda mais o quadro”, alertou.

O segundo fator, de acord com Perfeito, são as medidas de ajuste fiscal que estão sendo implementadas aos poucos pelo novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Os sinais são que há uma sintonia entre Levy e Tombini (Alexandre Tombini, presidente do BC), e haverá mais controle nos gastos públicos. Isso ajudará a diminuir o impacto nos juros, que já estão muito altos e são um dos maiores do mundo”, explicou.

O terceiro e último fator, afirma o economista da Gradual, é o cenário externo que vem sinalizando redução generalizada dos juros nos mercados desenvolvidos e emergentes, como Índia, México e, recentemente, Peru.


"Um elemento-chave no segundo mandato de Dilma é a retomada da ortodoxia econômica. Com isso, o BC continuará focado em combater a inflação ao invés de dar apoio para a economia se recuperar”
Neil Shearing, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics.