Título: Ex-chefe do FMI no alvo
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Fonte: Correio Braziliense, 05/07/2011, Economia, p. 11

Paris ¿ Divididos, os socialistas franceses participam da ressurreição política de Dominique Strauss-Kahn, ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas sua eventual candidatura às eleições presidenciais de 2012 poderia vir a ser comprometida pelo anúncio de uma ação de tentativa de estupro, desta vez na França. Depois da reviravolta do caso envolvendo uma camareira em Nova York, ontem foi a vez de a jornalista e escritora francesa Tristane Banon, que afirma ter sido agredida sexualmente em 2002, anunciar que vai entrar, hoje, com uma queixa por tentativa de estupro contra Strauss-Kahn.

Menos de duas horas após o anúncio do advogado de Tristane, David Koubbi, o ex-chefe do FMI partiu para o contra-ataque. Denunciou, por meio de seus advogados, "fatos imaginários" da parte da acusadora, e encarregou seus defensores de preparar uma ação penal por calúnia contra a jornalista.

Complô A nova queixa e um retorno possível para Strauss-Kahn ao cenário político francês não deixa de alimentar a teoria de complô defendida por pessoas ligadas a ele. O Partido Socialista disse ser improvável a sua candidatura às eleições de 2012, apesar do enfraquecimento do caso de assédio sexual em Nova York. Em Paris, admiradores começaram a preparar sua volta. A hipótese de um retorno à corrida eleitoral promete tumultuar um partido, que acaba de digerir a saída de seu eventual campeão de votos.

No topo das pesquisas Uma pesquisa da Harris Interactive, publicada ontem, 42% dos franceses consideram que Dominique Strauss-Kahn poderia ser um bom presidente da República, tanto quanto o deputado socialista François Hollande, superando ainda a líder do partido, Martine Auby (38%), os dois principais candidatos declarados às primárias socialistas. "DSK desempenhará, forçosamente, um papel considéravel nos acontecimentos do ano que vem", afirmou o deputado Jean-Marie Le Guen, ao jornal Le Parisien.