Título: Saques de R$ 3 bilhões
Autor: Monteiro, Fábio
Fonte: Correio Braziliense, 07/07/2011, Economia, p. 15

O superendividamento está obrigando as famílias brasileiras a cobrirem seus compromissos com o dinheiro guardado, a duras penas, na caderneta de poupança. Os dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que a modalidade de aplicação fechou o primeiro semestre do ano com saldo negativo de R$ 3,007 bilhões. É o pior rombo registrado desde os seis primeiros meses de 2006, quando os saques superaram os depósitos em R$ 8,16 bilhões. No mesmo período do ano passado a poupança fechou com resultado positivo de R$ 12,242 bilhões.

Considerando apenas o mês de junho, a poupança foi positiva em R$ 220,31 milhões. Nos dois meses anteriores a caderneta tinha perdido depósitos. Os saques líquidos em abril foram de R$ 1,762 bilhão e em maio de R$ 1,301 bilhão. Segundo o vice-presidente da ProScore, centro de informação e análise de crédito, os saques em maio foram fortes por conta do dia das mães. Na sua avaliação o que tem pesado mais na decisão de recorrer ao dinheiro guardado é o consumo.

A poupança também perde recursos em períodos de alta da taxa de juros, quando outros investimentos dão maiores retornos. Entretanto, não são todos os poupadores que conseguem boa rentabilidade em outros ativos, como por exemplo, os fundos de investimento. Como sobre essas aplicações incide a taxa de administração e o imposto de renda, apenas quem tem mais dinheiro é que consegue uma taxa mais vantajosa. Em junho, por exemplo, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), os fundos de renda fixa captaram R$ 4,674 bilhões.

A Caixa Econômica Federal, que possui 34% do mercado de poupança do país, informou que os depósitos superaram os saques em R$ 960 milhões, em junho. A instituição não informou o desempenho no semestre. (VC)