O aumento das mensalidades escolares deve impedir que a prévia do índice oficial de inflação desacelere em fevereiro, mesmo com avanços um pouco mais moderados de alimentos e energia elétrica esperados para este mês, segundo economistas.
Após alta de 1,24% em janeiro, a média das projeções de 16 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data indica que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 1,3% em fevereiro.
Confirmado o número, o índice deve alcançar 7,33% nos 12 meses terminados em fevereiro, acima do aumento de 7,14% observado em igual período encerrado em janeiro. As estimativas para o IPCA-15, que será divulgado amanhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), variam entre aumento de 1,21% e 1,38% no mês.
Para Flavio Serrano, economista-sênior do Besi Brasil, apenas o grupo educação, com alta esperada de 6% em fevereiro, deve adicionar 0,28 ponto percentual à prévia da inflação no mês. Com o reajuste das mensalidades escolares em fevereiro, o economista projeta que o IPCA-15 deve subir 1,31% e alcançar 7,34% no acumulado em 12 meses.
Outro fator que ainda deve levar a inflação mensal a acelerar, observa Serrano, é o aumento da gasolina e do diesel. Com a elevação de PIS e Cofins que passou a vigorar no início deste mês, o economista estima aumento de cerca de 3% dos combustíveis na prévia de fevereiro, o que deve adicionar 0,12 ponto percentual ao IPCA-15. No mês fechado, observa, o preço da gasolina nas bombas deve ser um fator de pressão ainda mais importante, com elevação de 8% a 9%, já que o reajuste terá incidido em todo o período de coleta.
Para Adriana Molinari, economista da Tendências Consultoria, apesar da alta de 3,75% esperada para a gasolina em fevereiro, o grupo transportes não deve registrar aceleração nesta leitura. Ela estima que a redução de preços de passagens aéreas e efeitos diluídos do reajuste de transporte público no início de janeiro devem amenizar o efeito da alta dos combustíveis sobre transportes. O grupo, nas contas de Adriana, deve passar de avanço de 1,89% em janeiro para aumento de 1,39% em fevereiro.
Do mesmo modo, comenta Adriana, outros grupos, como alimentação e habitação, também devem ajudar a "neutralizar" a alta de cerca de 5% de cursos regulares e diversos no índice. Por isso, estima alta de 1,21% do IPCA-15 em fevereiro, um pouco menor do que o avanço de 1,24% observado em janeiro.
A economista projeta aumento de 1,15% para o grupo alimentação e bebidas, após variação de 1,48% no período anterior. "Temos desaceleração de alguns produtos, como carnes, tubérculos, raízes e legumes, o que compensa a alta de frutas, por exemplo", afirma.
Ao mesmo tempo, diz Adriana, começa a sair da conta o efeito do primeiro mês de vigência das bandeiras tarifárias. Com isso, o preço da energia elétrica, que subiu mais de 8% no mês passado, deve ter alta um pouco mais moderada, de 4,34% em fevereiro, diz a economista, o que levaria o grupo habitação a ceder de 2,42% para 1,47% no período.
O possível reajuste da bandeira vermelha, já autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), atualmente em consulta pública, só terá impacto sobre a inflação de março, comenta a economista. Nesse cenário, o custo adicional passaria dos atuais R$ 3 para R$ 5,50 a cada 100 quilowatts-hora.
Para Serrano, do Besi Brasil, os preços de energia devem voltar a subir em torno de 7% no próximo mês, o que manterá a inflação bastante pressionada ao longo de todo o primeiro trimestre. No ano, o economista estima alta de 40% na tarifa de energia, o que levará o índice oficial de inflação a encerrar 2015 em 7,3%.