Título: Investindo em parceria com o MEC
Autor: Lins, Thalita
Fonte: Correio Braziliense, 09/07/2011, Política no DF, p. 32

Lembrada em toda campanha eleitoral, a educação é um dos principais eixos para a formação social. Para a professora da Universidade de Brasília (UnB) Regina Vinhaes Gracindo, a boa administração da área precisa ser dividida em três pilares: infraestrutura, formação e gestão. Sem vínculo partidário, mas adepta declarada da esquerda, a docente foi alçada ao cargo de secretária de Educação e precisou enfrentar o descontentamento de aliados do governador Agnelo Queiroz (PT) para se manter no cargo. "Só continuo aqui por conta do apoio dele", confessa Regina.

Depois de seis meses "arrumando a casa", a secretária demonstra estar mais à vontade na cadeira. Ela pretende, agora, colocar em prática uma nova política educacional, com a racionalização dos gastos e da atuação dos profissionais. Para tanto, extinguiu contratos que chegavam a custar R$ 300 milhões aos cofres públicos. No lugar, tem lançado mão de convênios com instituições públicas. Nos últimos dois dias, Regina apresentou, ao lado do governador e do ministro da Educação, Fernando Haddad, uma série de convênios com o governo federal. Entre as novidades estão a construção de 200 creches públicas e de 14 escolas técnicas.

Avaliação Nós pegamos a secretaria com muitos problemas e fizemos um esforço imenso para colocar a casa em condições de iniciar novos projetos. Para isso, tivemos de fazer a análise de programas e projetos que existiam e ver quais deviam continuar. Havia convênios e contratos para oferecer ciências, alfabetização de adultos, matemática em foco, português em foco. Estamos construindo, neste momento, o nosso currículo, da Escola do Cerrado, voltado para os saberes acadêmicos, no qual a escola tem papel importante de trazer o mundo letrado para crianças, jovens e adultos, mas considerando a realidade.

Escolas No início do ano, detectamos mais de 400 unidades em péssimas situações. Fizemos um grande esforço para arrumar 309 a fim de começar o ano letivo. Não foi uma reforma. Fizemos a pintura, trocamos as lâmpadas, arrumamos os banheiros. Mas não era suficiente. Por isso, fizemos uma escala de prioridades e estamos com 28 obras prioritárias. Ainda existem escolas de madeirite e outras com padrão de concreto que são péssimas. Elas não podem ser reformadas e precisam ser substituídas. Para fazer essas obras, foi preciso readequar o orçamento. Canalizamos o que podíamos para as reformas e estamos com R$ 68 milhões para isso.

Contratos Todos os contratos de informática eram de empresas privadas. Acabamos com eles e fizemos um convênio diretamente com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Encerramos diversos outros, como o da Sangari, que previa R$ 300 milhões para o programa Ciência em Foco. Os convênios eram tão complicados que foi preciso ajuda da Secretaria de Transparência. A privatização ia da cozinha ao pensar pedagógico. Era tudo alienígena. A avaliação dos nossos alunos, por exemplo, era feita pela Cesgranrio e custava R$ 32 milhões. Fizemos acordo com o MEC para fazer a mesma coisa de graça.

Política Não sou de nenhum partido político, apesar de ser do campo da esquerda. O governador Agnelo, ao me convidar, sabia que eu não tenho bases política e partidária e deixou de chamar os indicados do PT. Tentei contemplar essas forças na administração, mas um dos grupos não se sentiu satisfeito e criou problemas internos muito grandes no início do governo. Também tenho de enfrentar a inquietude da área privada, desses contratos que encerramos. Além disso, quebramos a hegemonia política de 12 anos do governo Roriz e de seus asseclas. Por isso, digo que só continuo aqui por conta do apoio dele.

Parceria Por serem de partidos diferentes, as gestões anteriores não fizeram parcerias com o governo federal. Era mais fácil contratar a iniciativa privada. Viramos a mesa e nos alinhamos aos projetos do Ministério da Educação. Estamos aderindo a mais de 25 programas. Conseguimos, por exemplo, a sinalização para a construção de 200 Centros de Ensino da Primeira Infância (Cepi), para crianças de 0 a 5 anos.

Ensino integral Vamos construir sete escolas técnicas com recursos do governo federal. Além delas, serão mais sete unidades administradas pelo GDF e financiadas pelo MEC. Quatro serão construídas no padrão normal. As outras três serão Centros de Ensino Médio Integrado. Neles, os alunos terão o currículo acadêmico e técnico em horário integral. Hoje, são 298 escolas com algum tipo de atividade complementar, boa parte com apenas uma atividade extra semanal. Para poder ser considerada escola integral, o estudante tem que voltar pelo menos três dias na semana. Estamos desenvolvendo um novo projeto para ser iniciado em 2012, prioritariamente, no Itapoã, na Estrutural e no Condomínio Sol Nascente.

Merenda escolar Tivemos alguns problemas sérios. Um deles foi com a cocção dos alimentos. A maior parte das merendeiras da rede são terceirizadas, porque no governo passado essa era considerada função dispensável. No último contrato, foram admitidos 4,5 mil cozinheiros. No início deste ano, abrimos pregão para contratar empresa, mas as vencedoras dos quatro lotes impugnaram umas às outras e tudo foi parar na Justiça. Tivemos de manter o contrato emergencial. Além disso, tivemos problema sério em Sobradinho de três merendeiras jogando os alimentos no lixo. Fizemos um inquérito e descobrimos que elas fizeram isso para derrubar a diretora. Também não estamos satisfeitos com o atual cardápio, que contém muito carboidrato. Vamos implementar, no próximo semestre, mais verduras e legumes, privilegiando, inclusive, os agricultores familiares do DF.

Gestão democrática Em agosto, a Câmara Legislativa vai apreciar um projeto para instituir a gestão democrática nas escolas. Ele prevê a formação de conselhos escolares compostos por pais, professores, estudantes e funcionários. Acreditamos que um diretor de escola precisa ter três características: ser conhecedor do processo educativo, bom gestor, e ter o respaldo político da comunidade. O processo eleitoral para escolha vai passar por isso. O candidato terá de apresentar projeto pedagógico para o debate e a comunidade vai aprovar o mais adequado. O eleito ainda fará um curso de especialização em gestão escolar na UnB. De acordo com o projeto, alunos a partir de 10 anos poderão votar, além de professores, funcionários e pais. Os servidores terão peso de 50%, enquanto as famílias e os alunos, o restante.

Atualização Consideramos importantíssima a leitura de jornais. Estamos fazendo um projeto para trabalhar melhor o programa Leio e Escrevo Meu Futuro nas escolas. É extremamente relevante a atualização do estudante. Ele precisa estar antenado com as coisas que acontecem na sua cidade e no mundo.