Título: Risco de bolhas
Autor: Mainenti, Mariana
Fonte: Correio Braziliense, 14/07/2011, Economia, p. 19

A desvalorização do dólar frente às moedas latino-americanas e caribenhas é fonte de preocupação para a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). No relatório divulgado ontem, a organização fez um alerta de que a forte entrada de capitais especulativos nos atrativos mercados da região aumenta a vulnerabilidade dos países, sobretudo o Brasil.

Para a Cepal, há ainda risco de formação de bolhas nos preços dos ativos financeiros e imobiliários, o que recomenda aos governos a adoção de medidas de controle cambial. Na avaliação da entidade, as distorções no câmbio têm como efeitos colaterais a piora dos resultado nas contas externas, além de um exacerbado incentivo às exportações de bens primários, reduzindo a competitividade dos países caso o preço das commodities (produtos básicos com cotação internacional) sofra uma queda.

A preocupação da Cepal foi agravada pela recente deterioração do cenário externo. "Países como Grécia, Itália, Portugal e Irlanda têm dívidas acima de 100% do PIB, o que equivale a encargos com juros de 5% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa situação exige grande ajuste social ou a reestruturação das dívidas a exemplo do que aconteceu no passado na América Latina", frisou o economista do escritório da Cepal no Brasil, Carlos Mussi. (MM)

BANCO CENTRAL VÊ DESACELERAÇÃO

A economia brasileira desacelerou em maio. Segundo o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-BR) divulgado ontem, a expansão foi de apenas 0,17% na comparação com abril, o menor crescimento mensal para o ano até o momento. Em março e abril, o índice tinha ficado em 0,44%. No ano, a alta é de 3,92% e, em 12 meses, de 5,34%. Pelos cálculos do Itaú Unibanco, o PIB avançou 0,7% em maio, puxado pela construção civil, indústria e comércio varejista. A agropecuária registrou queda. A instituição prevê crescimento moderado em junho: apenas 0,2%, segundo uma amostra prévia do indicador.