O governo federal subiu o tom das negociações com os manifestantes que bloqueiam rodovias por todo o país. Ontem, colocou a Polícia Federal (PF) à caça das lideranças que incitam os protestos e ameaçou, com multas pesadas, os caminhoneiros que permanecem parados nas estradas. As medidas foram anunciadas pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele informou ainda que incluem ainda que efetivo da Força Nacional será enviado para ajudar a Polícia Rodoviária Federal (PRF), sobretudo nos estados do Sul do país, onde estão concentrados os bloqueios. O ministro afirmou que as negociações da véspera atenderam as reivindicações das lideranças oficiais, que aceitaram o acordo e pediram a paralisação dos protestos. Contudo, os bloqueios continuaram ontem, embora as ocorrências tenham diminuído. “Na quarta-feira, foram 119 pontos de bloqueios em 10 estados. Hoje (ontem) pela manhã, eram 97 pontos em sete estados, mais concentrados no Sul, onde os manifestantes insistem em permanecer”, disse Cardozo. No início da noite, a PRF informou que havia 75 trechos bloqueados em cinco estados. A presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo está fazendo todo o esforço para encerrar as paralisações. “Nós apresentamos, junto com várias lideranças que foram consultadas, um conjunto de propostas. Esse conjunto foi divulgado e a gente tem visto que tem tido recepção”, disse. Ontem, Dilma reuniu-se com o titular da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rosseto para fazer um balanço da situação. Na avaliação do ministro, o movimento perdeu abrangência e está concentrado no Sul do país. Cardozo ressaltou que as medidas acertadas com o governo só serão efetivadas quando as manifestações pararem e ameaçou punir os responsáveis. “Como a manutenção do movimento é um claro desrespeito à lei, o Ministério da Justiça tomou algumas medidas. A PRF vai aplicar as multas previstas na legislação de trânsito aos caminhoneiros que estão obstruindo as vias públicas”, disse. Os relatórios da PRF serão usados pela Advocacia-Geral da União (AGU) para identificar os motoristas e aplicar multas, que podem ir de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hora. Os valores variam conforme a ordem judicial e as estradas.

Ílícitos

Ílícitos O ministro disse ainda que a PF vai entrar no caso e dar prioridade aos inquéritos relativos às manifestações.“ Todos os ilícitos que estejam ocorrendo serão objeto de apuração policial”, afirmou. Entre os ilícitos, Cardozo citou o impedimento da livre circulação de pessoas e a ação de “proprietários de empresas que estão querendo liderar o movimento”. Nesse último caso, o ministro fez uma clara referência a Ivar Luiz Schmidt, que se intitula líder do Comando Nacional doTransporte. Schmidt tentou participar da reunião entre governo e representantes do setor, na tarde de quarta-feira, no Ministério dos Transportes, mas foi barrado. Ele disse ser responsável por 100 pontos de bloqueio e não aceitou o acordo. Schmidt alega que o movimento não é vinculado a nenhum sindicato e atribui o sucesso da mobilização às redes sociais. “Nós criamos um grupo no Whatsapp e estamos em contato com os caminhões parados. Nenhum dos sindicatos e associações presente na reunião nos representa”, afirmou. Schmidt quer que o governo aprove sua proposta de criar o frete mínimo de R$ 0,70 por eixo e por quilômetro rodado. Também quer que o preço do diesel seja reduzido em R$ 0,50 enquanto se estuda o tabelamento do frete. O acordo alinhavado entre o Executivo e as lideranças não contempla nada disso. Entre as concessões, estão a sanção da nova Lei do Caminhoneiro, isenção de pagamento de pedágio para o eixo suspenso de caminhões vazios e carência de um ano para as parcelas de financiamento de caminhões. O governo também assumiu o compromisso de não reajustar o preço do diesel por seis meses e prometeu elaborar uma tabela referencial de fretes. Porém, a próxima rodada de negociações com a categoria, foi marcada para 10 de março. Até lá, o governo aposta que conseguirá dissipar o movimento com as medidas anunciadas ontem. “Nossa expectativa é de que a categoria se sensibilize com as conquistas e encerre as manifestações”, disse o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno. Resta saber quem, de fato, está à frente dos protestos.